Política

Homem pego com 117 fuzis ligados a suspeito de matar Marielle é solto

Alexandre Motta de Souza teve a prisão preventiva revogada pela Justiça na quinta-feira (6)

A vereadora Marielle Franco  foi assassinada em março de 2018A vereadora Marielle Franco foi assassinada em março de 2018 - Foto: Reprodução/Instagram

Deixou a prisão neste sábado (8) o homem com quem a Polícia Civil do Rio de Janeiro encontrou, em março, 117 fuzis incompletos pertencentes ao sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, réu pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Embora as armas não estivessem completas, tratou-se da maior apreensão de fuzis da história do estado.

Alexandre Motta de Souza teve a prisão preventiva revogada pela Justiça na quinta-feira (6). Segundo a Seap-RJ (Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro), ele deixou o Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste carioca, por volta do meio-dia.

A decisão de revogar a prisão foi da juíza Alessandra Bilac, da 40ª Vara Criminal do Rio, que acolheu parecer do Ministério Público favorável à soltura do amigo de Souza. A juíza levou se baseou em informações dadas pelos policiais que participaram da prisão dele e no depoimento dos réus.

Leia também:
'Tenho medo de morrer', diz advogada suspeita de atrapalhar o caso Marielle Franco


Segundo os policiais, Souza "demonstrou surpresa e desespero com o que havia dentro" das caixas e disse não saber ali havia peças de fuzis. Sua versão versão foi confirmada por Lessa em audiência e em videoconferência na última quinta.

Polícia Civil do RJ encontrou 117 fuzis do tipo M-16 na casa de amigo de suspeito de matar Marielle Polícia Civil do RJ/Divulgação Polícia Civil do RJ encontrou 117 fuzis do tipo M-16 na casa de amigo de suspeito de matar Marielle "Ele é amigo do Lessa há anos e apenas lhe fez o favor de armazenar essa encomenda em seu apartamento. Ele não sabia do que se tratava. E foi uma surpresa para ele ver o que se encontrava dentro das caixas. Ele não tem nada a ver com esse episódio lamentável envolvendo a vereadora", disse o advogado de Souza, Leonardo da Luz, em 12 de março, data da prisão.

Souza relatou que os 117 fuzis desmontados pertenciam a Lessa. O suspeito de matar Marielle teria afirmado que "eram itens de airsoft [jogo em que os participantes utilizam arma de pressão]", e Souza não sabia o que estava na caixa, lacrada.

Na casa de Souza ainda foram encontradas 500 munições, três silenciadores e R$ 112 mil em dinheiro.

Ele foi preso em flagrante no mesmo dia da prisão de Lessa e do ex-policial militar Élcio Queiroz, suspeito de dirigir o carro usado no dia do crime.

Apontado como executor dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, Lessa chegou a integrar o Bope (Batalhão de Operações Especiais) e atuou como segurança para um dos principais clãs do jogo do bicho do Rio. A Polícia Civil e o Ministério Público suspeitam de que ele atuava como matador de aluguel, traficante de armas e "armeiro" (quem adapta armas para grupos criminosos).

Tanto Souza quanto Lessa respondem à Justiça por comércio ilegal de armas. Lessa e Queiroz estão detidos no Presídio Federal de Mossoró (RN).

Veja também

PF conclui que Milton Ribeiro não cometeu crime em disparo de arma de fogo no aeroporto
Política

PF conclui que Milton Ribeiro não cometeu crime em disparo de arma

Colômbia está diante de guinada histórica para a esquerda
Mundo

Colômbia está diante de guinada histórica para a esquerda