“Hora de passar as coisas a limpo”, diz empresário

Eike Batista, que se entregou à Polícia e foi transferido para o presídio de Bangu 9, pensa em fazer delação

Preocupada com a “integridade física” de Eike, sua defesa pediu para que a prisão do empresário seja revogadaPreocupada com a “integridade física” de Eike, sua defesa pediu para que a prisão do empresário seja revogada - Foto: Guilherme Pinto/Ag. O Globo

 

O empresário Eike Batista se entregou na manhã de ontem, após quatro dias considerado como foragido, nos Estados Unidos. Suas declarações, antes de ser enviado ao Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio, indicam que ele deve ajudar as investigações, visando se beneficiar da colaboração premiada.

Ele desembarcou do voo vindo de Nova York e foi imediatamente preso pela Polícia Federal. Na sequência, foi levado para o sistema penitenciário. Ele teve os cabelos raspados, procedimento padrão no Rio.

Ainda no aeroporto JFK, em Nova York, o empresário deu sinais de que pode firmar delação premiada com o Ministério Público Federal. "Está na hora de eu ajudar a passar as coisas a limpo (...). Vou mostrar como são as coisas, simples assim", disse.

Hoje, Eike deve prestar de­poimento à PF, mas enfrentará resistências a uma eventual colaboração. Pe­sam contra ele o fato de ter mentido, na análise de investigadores, sobre o repasse de R$ 1 milhão ao escritório da ex-primeira-dama do Rio, Adriana Ancelmo. A versão de Eike foi desmentida pela Caixa Econômica, que negou ter indicado a banca ao fundo de investimento imobiliário que formou com o empresário.

O foco das investigações é a movimentação de sua conta Golden Rock, no Panamá, citada tanto no esquema do ex-governador Sérgio Cabral, como na transferência para Mônica Moura, mulher do marqueteiro do PT, João Santana. No Rio, Eike é suspeito de ter pago US$ 16,5 milhões em propina a Cabral.

Presídio e Luma
Bangu 9, que tem capacidade para 547 presos, mas abriga 424, é conhecida por ser uma das mais novas unidades do sistema prisional do Rio, mais limpa e menos violenta que a maioria das unidades. Eike dividirá cela com outros cinco presos e ficará num local conhecido como "faxina", que são as celas em que ficam os presos que trabalham no presídio, ocupado por ex-policiais militares e ex-milicianos. Ele terá direito a duas horas de banho de sol e café com leite e pão com manteiga no café da manhã. A decisão de transferi-lo foi pa­ra preservar sua integridade.

Ainda ontem a ex-mulher de Eike, Luma de Oliveira defendeu- o nas redes sociais: "(Ele) Fez muitos investimentos no nosso país com recursos próprios. Infelizmente, parece que os empresários ficam acuados por pseudogovernantes. Lamentável. Mas ele enfrenta o que tiver que enfrentar".

Juiz
Responsável por prender o empresário Eike Batista e o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o juiz federal Marcelo da Costa Bretas ganhou os holofotes e vê seu nome mencionado entre os cotados para a vaga de Teori Zavascki, no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é um de 30 magistrados relacionados em uma pré-lista da Associação de Juízes do Brasil.

 

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