Imprensa mundial destaca decisão sobre habeas corpus de Lula

O francês Le Monde publicou "Lula: o Partido dos Trabalhadores do Brasil órfão de seu herói". Na Inglaterra, o The Guardian publicou que Lula encara prisão por corrupção depois da corte suprema.

The GuardianThe Guardian - Foto: Reprodução / Internet

Grandes jornais ao redor do mundo e emissoras de televisão dos Estados Unidos repercutiram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou o pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula. O New York Times trouxe a manchete "Lula, ex-presidente do Brasil, pode ser preso, define Tribunal". A reportagem disse que coube ao Supremo responder uma pergunta crucial, "em que ponto no processo de apelação o réu pode ser preso?".

Já o Washington Post destacou: "Supremo do Brasil decide que Lula deve ser condenado à prisão antes de continuar apelando". A reportagem retratou a pressão contra e a favor o habeas corpus de Lula, nas dez horas de julgamento, e destacou o voto de Carmem Lucia: ""A falta de culpabilidade penal tornaria impossível para o Estado responsabilizar as pessoas, e isso pode levar à impunidade".

O The Wall Street Journal traz a seguinte manchete: "Suprema Corte do Brasil rejeita pedido do ex-presidente Lula para evitar a prisão". O jornal contextualiza e diz que o "caso dividiu o país e colocou a prova, três décadas de democracia".

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O francês Le Monde publicou "Lula: o Partido dos Trabalhadores do Brasil órfão de seu herói". O texto diz que "de fato, se o charme de Lula ainda funciona, isso não apaga a crítica de um partido usado por treze anos de poder, acusado de não cumprir todas as promessas e ser prejudicado por escândalos de corrupção. A demissão da presidente Dilma Rousseff em 2016, a política ultraliberal e os incríveis casos de suborno que afetam o governo de seu sucessor, Michel Temer, colocam o PT em perspectiva, mas sem Lula a esquerda se sente órfã".

Na Inglaterra, o The Guardian publicou que Lula encara prisão por corrupção depois da corte suprema. O texto informa que o ex-presidente deixou seu governo, em 2010, com um índice de mais de 80% de aprovação e que ele dirigiu um período de estabilidade e crescimento ecônomico, bem como ajudou a retirar milhões de pessoas da pobreza. Entretanto, recentemente, Lula se tornou uma figura mais polarizada enquanto que a economia enfrentava dificuldades e múltiplas denúncias de corrupção surgiam contra ele e seus aliados do partido de esquerda. O jornal britânico ainda cita pesquisa da Datafolha que aponta um índice 53% a favor da prisão de Lula.

"O Brasil é o reino do imprevisível e dos mais surpreendentes acontecimentos de última hora, mas tudo indica que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está a ponto de se converter em presidiário nos próximos dias", escreveu o jornal espanhol EL País. A publicação ainda diz que a passagem do ex-presidente pela prisão deve ser efêmera, talvez de apenas algumas semanas, por que "ainda restam algumas balas à defesa do ex-presidente para gastar nessa direção", mas que as possibilidades de evitar a prisão, agora, parecem mínimas para alguém que há uma década chegou a ser um dos líderes políticos mais populares do planeta.

O jornal impresso e portal de notícias USA Today publicou: "Ex-presidente Lula pode ser preso por condenação por corrupção. O USA Today afirmou que a decisão apertada do STF representa um "duro golpe ao candidato à presidência do maior colégio eleitoral da América Latina".

A NBC News, uma das principais emissoras de TV aberta do país, também repercutiu a divisão da sociedade brasileira sobre o caso e disse: "O principal tribunal do Brasil decide que o ex-presidente Lula pode ser preso por corrupção".

A emissora disse que o país continua "profundamente dividido", depois do impeachment de Dilma Rousseff, em meio ao que chamou de "recessão paralisante" e um grande escândalo de corrupção.

A capa do site da Rede CNN destacou: "Ex-presidente Lula da Silva perde luta para adiar prisão". A matéria publicada relembrou a trajetória de Lula como presidente, assim como recordou a operação Lava Jato. A CNN também fez uma retrospectiva do caso perante os tribunais, com as apelações da defesa de Lula.

A Rede Fox News – emissora reconhecidamente republicana, e principal concorrente da CNN – disse: “O maior Tribunal do Brasil decide contra Lula, a favor da prisão” do ex-presidente. A Fox afirmou que o Supremo rejeitou a tentativa de Lula, de ficar fora da cadeia, enquanto apela contra uma condenação de apelação. A emissora também contextualizou a polarização da opinião pública brasileira sobre o julgamento e o caso de Lula.

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