Investigação

Institutos de pesquisa de novo sob pressão antes do segundo turno

TSE paralisou uma investigação policial solicitada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PL)

Urna eletrônicaUrna eletrônica - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Os institutos de pesquisa voltaram ao centro da disputa política, nesta sexta-feira (14), depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) paralisou uma investigação policial solicitada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), que acusa essas instituições de manipularem os números para prejudicá-lo.

Os institutos voltaram a ser alvo do presidente e de seus aliados por subestimar o forte apoio que Bolsonaro recebeu recebeu no primeiro turno das eleições presidenciais contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A Polícia Federal abriu um inquérito na quinta-feira, após um pedido do Ministério da Justiça, para investigar os institutos de pesquisa por possíveis "práticas criminosas" na divulgação de pesquisas de opinião.

Além disso, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), organização que zela pela livre concorrência no mercado, iniciou sua própria investigação para determinar se os institutos atuaram como 'cartel' para "manipular" as eleições.

Os dois processos foram anunciados na véspera da divulgação de uma nova pesquisa do Datafolha, prevista para essa sexta-feira. Na semana passada, a sondagem deste instituto mostrava Lula na frente da disputa de 30 de outubro, com 49% das intenções de voto, contra 44% de Bolsonaro.

O presidente do TSE, Alexandre de Moraes, suspendeu os inquéritos, afirmando que houve “usurpação de competência” por parte da justiça eleitoral, e que suas decisões mostram uma possível intenção de favorecer o presidente.

Os procedimentos “parecem demonstrar a intenção de satisfazer a vontade eleitoral” de Bolsonaro, escreveu Moraes, quem, como magistrado do Supremo Tribunal Federal, conduz diversas investigações envolvendo o presidente e seus aliados.

Moraes ordenou também que a justiça eleitoral investigue essas ações por possível "abuso de poder" e "desvio de finalidade no uso de órgãos administrativos".

Bolsonaro criticou a decisão de Moraes nesta sexta-feira. "Os institutos vão continuar mentindo. E nessas mentiras, quanto arrastam para o outro lado? (As pessoas) Geralmente votam em quem está ganhando", disse em entrevista a canais de Youtube sobre futebol.

Na véspera da votação de 2 de outubro, o ex-presidente de esquerda superava Bolsonaro nas pesquisas por uma margem de até 14 pontos percentuais nas intenções de voto.

Mas a diferença nas urnas foi significativamente menor: Lula obteve 48,4%, dentro da margem de erro, enquanto o presidente de extrema-direita alcançou 43,2%, longe do máximo de 37% atribuído nos meses anteriores por institutos com trajetória reconhecida no Brasil, como Datafolha e Ipec.

Luciana Chong, diretora do Datafolha, alertou que as pesquisas "não antecipam resultados" e atribuiu a diferença a uma migração de última hora de votos dos eleitores que indicaram que ainda poderiam mudar de ideia.

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