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Investigação

Jaques Wagner e diretor da PF tiveram conversa em evento no Planalto nove dias antes da operação

Líder do governo no Senado foi alvo de operação sob suspeita de receber vantagem indevida de ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco

Líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA)Líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) - Foto: José Cruz/Agência Brasil

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), teve uma conversa com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, nove dias antes da operação que teve o parlamentar como alvo. O encontro entre os dois ocorreu em 9 de junho no Palácio do Planalto, ao fim de um evento de assinatura de decreto de regulamentação do Estatuto da Segurança Privada.

Os dois conversaram nos bastidores do evento enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva posava para fotos com trabalhadores da segurança privada. Durante o diálogo, o senador gesticula e faz gestos para o delegado, que o escuta atentamente. Não é possível saber o teor do diálogo. Procurados, Andrei Rodrigues e Jaques Wagner não se manifestaram.

O líder do governo no Senado foi alvo nesta quinta-feira de uma operação da Polícia Federal que apura se ele atuou no Congresso a favor dos interesses do Banco Master em troca de “vantagens indevidas”.

Os investigadores suspeitam da atuação de Jaques em três momentos:

a apresentação de emenda a uma Medida Provisória, editada em 2022, sobre o aumento da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores regidos pela CLT, para os aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS, com autorização para empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda;

na tentativa de aprovação da PEC nº 65/2023, com repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC);

na fiscalização da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB);

A Polícia Federal aponta uma correlação entre tais atuações e supostas "vantagens econômicas indevidamente" recebidas pelo parlamentar, como o uso gratuito de aeronaves de Augusto Lima e do Banco Master; o recebimento de ingressos para shows no exterior de alto valor; a compra de um apartamento; e pagamentos à empresa vinculada a seu núcleo familiar.

O nome do senador já havia surgido no contexto do caso Master depois de ter sido revelado que a nora dele recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que pertence a ela. Na época, o parlamentar disse que não tinha "conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.

Além de Jaques Wagner, a operação também teve como alvo o empresário Augusto Lima , ex-sócio de Vorcaro. Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF afirmou em nota que a operação busca "apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional". Ainda segundo a corporação, os "fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro".

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