Jucá volta atrás e diz que se referia aos “Mamonas”

Um dia após dizer que “se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba”, senador tenta corrigir frase e diz que se referia à música Vira-Vira

Líder pediu desculpas e alegou que esqueceu de citar o autor da frase, o músico DinhoLíder pediu desculpas e alegou que esqueceu de citar o autor da frase, o músico Dinho - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

 

Um dia após reagir à disposição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de restringir a prerrogativa de foro privilegiado dos políticos, afirmando que “se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada”, o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR) voltou atrás, diante da repercussão negativa da frase. Ele afirmou - contrariando a declaração dada ao jornal O Estado de S. Paulo na segunda-feira - que fez uma brincadeira ao se referir à palavra “suruba” para tratar de proposta para redução do foro privilegiado a parlamentares e ministros.

Jucá alegou que se referia, na verdade, à música “Vira-Vira”, da banda Mamonas Assassinas. Segundo ele, faltou citar na entrevista que o autor da frase era o cantor Alecsander Alves Leite, o Dinho, vocalista da banda. O peemedebista disse que a intenção não era desagradar ninguém e pediu desculpas se alguém se sentiu ofendido com a referência à letra do grupo musical.

“Eu brinquei que assim não dá, senão vira a música dos Mamonas Assassinas, a suruba portuguesa. Eu estava brincando, faltou citar que o autor da frase é o Dinho, mas isso é o de menos. O mais importante é que o Congresso Nacional discuta a modernização de uma lei que ficou anacrônica. A queda do foro deve valer para os Três Poderes, não só para o Congresso Nacional”, disse.
Segundo a assessoria de imprensa do senador, ele nunca se posicionou contra o Supremo ou fez provocações a ministros que o integram.
Reação
A declaração de Jucá, ao jornal “ O Estado de S.Paulo”, foi uma reação ao fato de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso ter defendido a limitação do foro privilegiado de deputados, senadores e ministros. Para Barroso, o foro deve estar restrito ao período que a pessoa exerce o cargo de ministro ou mandato legislativo. Ou seja, se o crime ou delito tiver sido praticado antes, a autoridade terá de ser julgada por outras instâncias do Judiciário, e não pelo Supremo.
A discussão ocorre na esteira de um outro movimento no sentido de ampliar as prerrogativas dos políticos. Na semana passada, Jucá apresentou um projeto de Emenda à Constituição com a previsão de que, além do presidente da República, os presidentes da Câmara e do Senado também não fossem investigados por fatos anteriores ao mandato. A matéria gerou polêmica e, a pedido do presidente do Senado, Eunício de Oliveira (PMDB-CE), foi retirada por Jucá.
Nazistas
Antes de explicar o contexto da sua mal colocada frase, Jucá havia feito duras críticas à imprensa, que se posicionou contra a PEC, chegando a responsabilizar os jornalistas pelo fato de senadores terem retirado assinaturas de apoio ao projeto.
Ele chegou a comparar o trabalho dos jornalistas ao nazismo, à Inquisição e à Revolução Francesa.
"No passado, a turba fazia linchamentos. A gente viu muito isso ao longo da história do mundo. Hoje, quem tenta fazer linchamentos não é a turba, é a imprensa e setores da sociedade", afirmou o senador.

 

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