Lava Jato

Lava Jato de SP faz operação contra Paulinho da Força por suspeita de crime eleitoral

A investigação apurou a existência de doações eleitorais não declaradas durante as campanhas eleitorais dos anos de 2010 e 2012

Deputado federal Paulo Pereira da Silva, presidente nacional do SolidariedadeDeputado federal Paulo Pereira da Silva, presidente nacional do Solidariedade - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A Polícia Federal cumpre, na manhã desta terça-feira (14), mandados de busca e apreensão contra o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), em ação conjunta com o Ministério Público Eleitoral. A ação é parte da operação Dark Side, da Lava Jato de São Paulo, que investiga crimes eleitorais.

Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em São Paulo e Brasília, e houve o bloqueio judicial de contas bancárias e imóveis dos investigados, segundo informou a Polícia Federal. O inquérito policial começou em 2019, com a delação premiada de acionista e executivos do Grupo J&F, controlador do frigorífico JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

A investigação apurou a existência de doações eleitorais não declaradas durante as campanhas eleitorais dos anos de 2010 e 2012, no valor total de R$ 1,7 milhão. Os pagamentos teriam ocorrido por meio da simulação da prestação de serviços advocatícios e do pagamento de valores em espécie, com a ajuda de doleiros contratados. O escritório de advocacia envolvido na operação tem como um dos sócios Paulinho da Força e um genro dele. Os investigados podem responder por crimes de falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro, com penas de três a dez anos de prisão.



A operação Dark Side é primeira fase da operação Lava Jato junto à Justiça Eleitoral de São Paulo desde o entendimento do Supremo Tribunal Federal que reafirmou a competência da Justiça Eleitoral para crimes conexos aos eleitorais. A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa de Paulinho da Força.

Condenação
No início de junho, a 1ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) condenou o deputado federal Paulinho da Força (SD-SP) a 10 anos e 2 meses de prisão por desvio de verbas públicas do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O parlamentar foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por atuar em benefícios da rede de lojas Marisa e da prefeitura de Praia Grande, no litoral paulista, em três empréstimos junto ao banco estatal que somaram R$ 524 milhões. Paulinho é um dos líderes do centrão, que tem se aproximado do governo e recebido cargos em troca de apoio na Câmara, e foi condenado por crime contra o Sistema Financeiro Nacional, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

O colegiado também determinou a perda do mandato parlamentar e a interdição para exercer função pública. O parlamentar, porém, anunciou que recorrerá da decisão, o que pode atrasar o início do cumprimento da pena. A investigação teve origem em uma operação da Polícia Federal relacionada a uma organização criminosa dedicada a crimes como tráfico internacional de mulheres, favorecimento à prostituição e tráfico interno de pessoas. Ao longo das apurações, a PF identificou a relação entre o chefe do esquema, Manuel Bastos Filho, e Paulinho da Força.

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