Lava Jato prende empresário acusado de pagar propina na Petrobras

A decisão ainda apontou que o executivo permaneceu nove meses ausente entre março e dezembro de 2014

A Polícia Federal prendeu, nesta quarta (26), o empresário Mariano Marcondes Ferraz, investigado na Operação Lava Jato sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. Ferraz foi detido no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, onde embarcaria em voo para Londres à noite. Ele é suspeito de pagar propina de US$ 800 mil a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, por um contrato de aluguel de um terminal no porto de Suape, em Pernambuco.

era representante da Trafigura, multinacional que atua na área logística e de transporte marinho. A acusação consta da delação premiada de Costa, que afirmou ter recebido os valores em contas no exterior que estavam em nome do seu genro, Humberto Sampaio Mesquita. Mesquita e um terceiro delator, Fernando Soares, o Baiano, confirmaram os fatos. A investigação também obteve comprovantes de um depósito feito diretamente de uma conta de Ferraz para a offshore do genro de Paulo Roberto Costa.

RISCO À APLICAÇÃO DA LEI
A prisão preventiva foi decretada pelo juiz federal Sergio Moro com base no "risco à aplicação da lei penal". Residente no exterior, Ferraz mantém "recursos financeiros e propriedades vultosas no exterior", segundo o juiz, e tem dupla nacionalidade (é brasileiro e italiano), o que aumentaria a possibilidade de fuga.

A decisão ainda apontou que o executivo, que vinha constantemente ao Brasil em viagens de negócios, permaneceu nove meses ausente entre março e dezembro de 2014, exatamente quando foi deflagrada a Operação Lava Jato e o ex-diretor Paulo Roberto Costa foi preso. "Isso é indicativo de que, no longo período, teria evitado vir ao Brasil com receio de sua eventual prisão e responsabilização", escreveu Moro. "Justifica-se a prisão preventiva para prevenir o risco à aplicação da lei penal e garantir a efetividade da sanção penal no caso de eventual condenação."

OUTRO LADO
A reportagem não conseguiu falar com a defesa de Ferraz, que ainda não constituiu advogado nos autos. A reportagem fez contato com a assessoria da Trafigura, e aguarda retorno.

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