Legendas investem em nova roupagem

Para contornar a “aversão” atual aos políticos, os partidos brasileiros apostam na ressignificação de suas identidades

Eleitores insatisfeitosEleitores insatisfeitos - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil;

Diante do aprofundamento da crise de representatividade, reforçada pelos incontáveis escândalos de corrupção que atingem a classe política brasileira, os partidos buscam alternativas para se renovar. Dentro das estratégias traçadas para resgatar a confiança do eleitor, as siglas passaram a priorizar a ressignificação de suas identidades. Das 28 agremiações que compõem o Congresso Nacional, pelo menos oito anunciaram mudanças nas suas imagens, com o intuito de se preparar para as próximas eleições. A tendência do momento, entre elas, está na extinção do nome "partido" e na apropriação dos elementos presentes nos recentes movimentos de rua.

De acordo com a última pesquisa do Instituto Ipsos, divulgada no último dia 13, apenas 6% dos eleitores se sentem representados pelos políticos em quem já votaram. Para 94% dos entrevistados, os políticos que estão no poder não representam a sociedade. Preocupadas com esta "aversão" aos políticos, as legendas investiram, inicialmente, na remodelação de suas nomenclaturas.

Ao invés das velhas bandeiras partidárias, a prioridade é a utilização de verbos. O PTN, por exemplo, virou Podemos. O PTdoB agora é Avante. O PEN atende pelo nome de Patriota e o PP se chama Progressista. Por sua vez, o PSL se transformou em Livres. Já o PSDC quer ser agora Democracia Cristã. Outros partidos de forte expressão também anunciaram novidades, a exemplo do PMDB e DEM que brevemente deverão virar, respectivamente, MDB e Centro Democrático (CD).

Para o cientista político pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Antônio Lucena, a nova onda tem sido encorajada pelos marqueteiros políticos. "Partidos associados à velha política, eles estão recomendando que faça a alteração", diz. Por sua vez, o cientista político da USP-SP, Rudá Ricci, credencia a mudança de rótulo ao desgaste do sistema partidário brasileiro. Dada a alta impopularidade do Governo Federal, ele observa que agremiações ligadas à base aliada do presidente Michel Temer (PMDB) adotam a estratégia para se "safar do governo".

Questionado sobre a estratégia do PMDB, que quer voltar a ser chamado de Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Rudá acredita que não será fácil para o partido reverter o seu desgaste. "Você vê uma tentativa de marketing para criar um fato político e se aproximar da memória afetiva do MDB. Mas isso na prática se desgasta rapidamente", avalia. Na sua visão, de nada vale as novas roupagens. "Basta uma nova legislatura para que os vícios políticos se repitam", arrematou.

Histórico
Não é a primeira vez que as siglas sentem a necessidade de mudar. Antes de se tornar PP, o Partido Progressista era PTR. O Democratas, que estuda virar Centro Democrático, já foi PFL e Arena, na época do regime militar. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), desde a Constituição de 1988, 14 partidos já realizaram mudanças. Para que as alterações possa valer já nas próximas eleições, o TSE alerta que a oficialização do nome deve ocorrer até outubro deste ano.

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