Qui, 12 de Março

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Política

Leite: candidatura de Flávio Bolsonaro fortalece terceira via

Em entrevista ao podcast "Direto de Brasília", governador do Rio Grande do Sul avalia que a escolha por um filho de Bolsonaro reforça um nome alternativo à polarização com a esquerda

Eduardo Leite (D) é um dos pré-candidatos ao Palácio do PlanaltoEduardo Leite (D) é um dos pré-candidatos ao Palácio do Planalto - Foto: Reprodução Youtube Folha de Pernambuco

A definição do nome de Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à Presidência da República pelo campo da direita favorecerá o chamado centro político a apostar numa terceira via. Essa é a visão do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), que também é pré-candidato ao Palácio do Planalto. Em entrevista ao podcast "Direto de Brasília", Leite avalia que a escolha por um filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reforça um nome alternativo à polarização com a esquerda, representada pela candidatura à reeleição de Lula (PT).

“A definição do campo bolsonarista por Flávio ser candidato reforça a disposição do PSD. Isso foram palavras do próprio presidente do partido, Gilberto Kassab, sobre ter uma candidatura própria. Entendo que, ao longo dessas próximas semanas, já no final de janeiro e especialmente durante fevereiro, nós vamos ter intensas reuniões e discussões, bons debates internos para poder definir a melhor forma de nos apresentarmos para o eleitor brasileiro. E março vai ser o mês de deflagrar esse processo”, pontuou Leite.

“Se houvesse uma disposição daquele campo de fazer um gesto mais em direção ao centro, que poderia ser inclusive representado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), haveria a disposição do PSD de apoiar. Mas não é isso que se apresenta, que é justamente essa radicalização. O que trabalhamos é justamente para trazer o país mais para a moderação, a serenidade, o equilíbrio. Isso é o que eu defendo, que é o DNA do PSD. Insisto, o centro não é ausência de posição nem tem a ver com falta de convicção, mas sim na capacidade de conviver com diferentes, de respeitar divergências e de construir a partir dessa divergência o caminho que melhor atenda ao interesse da comunidade”, completou o governador.

Além do próprio Leite, o PSD também tem o governador do Paraná, Ratinho Júnior, cotado para entrar na disputa, embora o governante tenha sinalizado que pode se candidatar a senador. “Essa decisão não é apenas minha, eu tenho essa disposição (de liderar o projeto), não me conformo com a polarização radicalizada que está posta. O país precisa encontrar um caminho de conciliação, de entendimento, para enfrentar os problemas, não para ficar enfrentando as pessoas. Insisto nisso. No momento adequado vamos tomar essa decisão”, colocou o governador gaúcho.

Sobre os prazos de desincompatibilização, Eduardo Leite avalia que há tempo para construir uma frente que possa somar outras siglas, a exemplo da federação entre União Brasil e PP e de outras legendas que sinalizam para um eventual desgaste do governo Lula. “Naturalmente temos um prazo fatal em abril, que é o de desincompatibilização. Entendo que estamos no início do ano, agora se abrem efetivamente as discussões do ano eleitoral, e tudo vai se definir com a boa conversa, com o bom diálogo que a política exige, qual será o rumo que nós tomaremos. O que o presidente Kassab tem destacado é que não estaremos nem com o Lula nem com Bolsonaro. A participação de membros do PSD no governo do presidente Lula se relaciona ao fato de que o partido não teve candidato em 2022, e alguns dos integrantes terem apoiado a eleição do presidente Lula, enquanto outros apoiaram Bolsonaro”, afirmou.

Embora não queira cravar a candidatura, Leite ressaltou a importância de ter um nome do Nordeste para a chapa majoritária. “O Brasil é um país de dimensões continentais. É claro que o Nordeste não apenas oferece toda essa potência do ponto de vista econômico e cultural, mas também grandes quadros políticos. Sem dúvida, há a possibilidade de garimpar bons nomes para compor uma chapa presidencial. Mas, insisto, a própria definição sobre uma candidatura ainda vai ter o seu momento; a definição de uma chapa de candidato e vice leva ainda um pouco mais de tempo para ser construída, envolve a composição de forças políticas. Uma coisa que para mim é muito clara: não contem comigo para fazer qualquer movimento de divisão do Brasil entre regiões, entre classes sociais, entre raças, crenças, orientação sexual ou de qualquer maneira. O país precisa promover a união”, concluiu Eduardo Leite.

Ainda segundo o governador, sua saída do PSDB para o PSD se deu por conta da “representatividade” do partido, vendo nisso uma “oportunidade” para contribuir na política nacional. “Entendendo que existem outras lideranças, como é o caso do governador Ratinho Júnior. Não haverá disputa, não haverá enfrentamento. Haverá boa conversa, bom diálogo político para construir o melhor caminho para o partido e para o país. O partido vai tomar suas decisões, e se eu não estiver liderando um projeto nacional, vou olhar para o Rio Grande do Sul e onde melhor eu posso contribuir. E aí vamos decidir se o Senado é uma alternativa ou não”, concluiu.

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