Líder do governo entrega senha de celular à PF e pode expor articulações do Senado

O gesto involuntário causou surpresa à defesa do parlamentar e aos policiais envolvidos na ação

Senador Fernando Bezerra CoelhoSenador Fernando Bezerra Coelho - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), entregou à Polícia Federal a senha do seu celular no dia da operação Desintegração, na última quinta-feira (19). Segundo relatos, o político desbloqueou o telefone de maneira impensada, pouco tempo antes de seus advogados chegarem ao local, em sua residência oficial em Brasília.

O gesto involuntário causou surpresa à defesa do parlamentar e aos policiais envolvidos na ação. Em geral, a PF solicita a senha durante o cumprimento de um mandado judicial, mas o investigado não é obrigado a fornecer.

No aparelho, há conversas com outros parlamentares, como, por exemplo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Todo o material apreendido na ação policial passa agora por perícia, sem prazo para terminar.

Apesar de a entrega da senha ter sido considerada um erro do senador, o fato de a PF ter a posse do aparelho celular com conversas que podem tratar de articulações políticas aumentou a irritação de parlamentares com a operação.

Os mandados judiciais foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, após resistência inicial da PGR (Procuradoria Geral da República).

A Mesa do Senado entrou com um pedido na corte para que a análise dos objetos e documentos recolhidos seja suspensa imediatamente. A ação pode ser apreciada pelo presidente Dias Tofolli ou pode ser levada para julgamento do plenário.

André Callegari, advogado de Bezerra, disse que "não há nada de ilícito em seu telefone apreendido" e que "eventuais conversas entre ele e parlamentares ou membros do executivo fazem parte de sua atividade parlamentar e não guardam qualquer objeto com a investigação".

A defesa afirmou ainda que constitui "grave violação à sua prerrogativa funcional a investigação ou divulgação dessas conversas".

Leia também:
Alcolumbre critica ação da PF contra líder do governo
Silêncio sobre FBC, exaltação de Moro e vetos derrubados

Uma comitiva de senadores liderada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), se queixou nesta terça (24) ao presidente do STF da realização da operação. Alcolumbre estava acompanhado de 15 senadores. Recebidos no salão nobre da corte, eles pediram respeito à institucionalidade.

Segundo o discurso, a principal reclamação dos aliados de Bezerra é que não havia necessidade de realizar buscas no gabinete, já que os fatos investigados eram anteriores ao seu mandato na Casa.

Veja também

PGR afirma que reeleição na Câmara e no Senado é tema interno do Legislativo
eleição

PGR afirma que reeleição na Câmara e no Senado é tema interno do Legislativo

Senador acionará PGR contra Damares por suposta interferência em aborto de criança no ES
aborto

Senador acionará PGR contra Damares por suposta interferência em aborto de criança no ES