Líder do governo, FBC avisa que fundo eleitoral ficará em R$ 2 bi

Valor original acordado seria de R$ 3,8 bi

Senador Fernando Bezerra CoelhoSenador Fernando Bezerra Coelho - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os parlamentares estão "chiando", nas palavras do próprio líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho. Resistem a recuar e reduzir o valor de R$ 3,8 bilhões, acordado originalmente com a benção de 13 partidos e destinado às campanhas eleitorais do ano que vem.

O montante foi aprovado na semana passada na Comissão Mista do Orçamento em relatório preliminar do Projeto de Lei Orçamentária de 2020. O relator do Orçamento, no entanto, deputado Domingos Neto (PSD-CE), já tenta convencer líderes na Câmara a mudar de ideia. Ele argumenta com base na sinalização do governo de que o presidente Jair Bolsonaro vetaria os R$ 3,8 bilhões, que geraram pressão da população e um debate mais acirrado em função de que esse aumento (em 2018, os partidos receberam R$ 1,7 bi) seria bancado por cortes em setores como Saúde e Educação. Nesse processo, Fernando Bezerra Coelho foi à mesa, por mais de uma vez, numa negociação para reduzir os R$ 3,8 bi. O próprio Domingos Neto passou a defender um consenso como forma de evitar que um veto de Bolsonaro deixe candidatos a prefeito e vereadores no ano que vem de mãos abanando.

Parlamentares observam, nos bastidores, que o problema maior é que a Câmara derrubaria um veto, mas o Senado não. "Se ele vetar, fica zero o valor para as campanhas de 2020", adverte um deputado que prefere não se identificar. Ontem, durante café da manhã com a Imprensa, Fernando Bezerra Coelho, indagado pela coluna sobre eventual recuo no valor do fundo, cravou: "Vai ficar em R$ 2 bi". Ponderou na sequência que "os líderes estão ainda, digamos assim, chiando". Mas assegurou que o Congresso fechará nos R$ bilhões como resultado da pressão popular "e de tudo", diz o líder, lembrando que o presidente já sinalizara ser contrário ao valor cheio de R$ 3,8 bi.

 

Pacote social do governo
Há uma discussão no Governo Federal em torno da necessidade de focar em investimentos públicos para combater a desigualdade, enquanto os investimentos privados não começam a produzir resultados. No radar, estão duas ações: uma que passaria pelo redesenho do Bolsa Família e outra que seria uma espécie de reconstrução nacional, voltado para área de infraestrutura.
Renda Brasil > Fala-se em Renda Brasil. Fernando Bezerra grifa que há um hiato de dois a três anos entre processos que envolvem licitação, assinatura, licenciamento ambiental, até as obras ficarem prontas e começarem a gerar empregos. "Nesse hiato, é importante o papel do Estado", sublinha FBC.
Empurrãozinho > "Se o Brasil vai crescer, só pela retomada do investimento privado, de 2% a 2,5%, se o setor público der um empurrãozinho, a gente pode, de fato, ter crescimeto entre 3% e 4% a patir de 2021 e 2022", argumenta o líder do governo.
Atentos > Na posse de Doriel Barros como presidente do PT ontem, Sileno Guedes, dirigente do PSB, e Wolney Queiroz, dirigente do PDT, marcaram presença. Recentemente, rusgas entre PSB e PT ficaram mais nítidas e socialistas e pedetistas andam em rota de aproximação mais intensa como consequência. Mas, por via
das dúvidas, seguem fazendo afagos entre si.
Cristal > Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7 , ontem, Doriel Barros defendeu que "não deve ser quebrada aliança com o Governo do Estado ou com o PSB". E ponderou: "Nós podemos ter disputas locais. Mas isso não pode quebrar uma aliança que está dentro de um projeto de retomar a presidência do País".
LONGO PRAZO >Doriel prosseguiu: "Não podemos deixar que um projeto municipal esteja acima de um projeto nacional". Lembrou a possibilidade de dois turnos em alguns municípios."No segundo turno, nós temos que estar juntos", projetou. 

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