Líder do PSL na Câmara diz em áudio que vai implodir Bolsonaro

A conversa foi gravada dentro do gabinete do deputado nesta quarta-feira (16)

Deputado Delegado WaldirDeputado Delegado Waldir - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Em meio ao racha do PSL, o deputado Delegado Waldir (GO), líder do partido na Câmara, foi gravado dizendo que vai implodir o governo de Jair Bolsonaro (PSL).

"Vou fazer o seguinte, eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele, eu tenho a gravação. Não tem conversa, eu implodo o presidente, cabô, cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo, cara. Eu votei nessa porra, eu andei no sol 246 cidades, no sol gritando o nome desse vagabundo", disse o deputado.

A reportagem teve acesso ao áudio, revelado pelo site R7. A conversa foi gravada dentro do gabinete do deputado nesta quarta-feira (16).Em meio a um racha no PSL, escancarado depois de o presidente admitir que pode deixar a legenda, deputados do partido deflagraram uma guerra de listas na noite de quarta-feira (16) para troca do líder na Câmara.

O atual líder da bancada é Delegado Waldir (GO), mas bolsonaristas querem substituí-lo por Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente, como o jornal Folha de S.Paulo antecipou. Segundo deputados, Bolsonaro atuou pessoalmente para influir no processo.

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As versões desencontradas geraram uma confusão no protocolo da Câmara. A ala bolsonarista entregou uma lista com 27 assinaturas para tirar Waldir do comando da bancada. Uma contra-lista foi então apresentada com 32 deputados.

Como o PSL tem 53 parlamentares, a conta não fecha. O impasse foi instaurado. Como a lista para manter Waldir na liderança foi a última protocolada, é ela que vale por enquanto para a Câmara.

Eduardo já comentou uma eventual substituição. "O meu compromisso aqui é ficar até dezembro, oportunidade em que teremos eleições para o ano que vem", afirmou em entrevista coletiva, cercado pelo núcleo duro dos bolsonaristas.

As assinaturas, porém, terão de ser checadas pela administração da Câmara para conferir se são autênticas, e o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem de chancelar a medida para que ela entre em vigor.

Os deputados de ambos os grupos não mostraram as listas à imprensa. No lado bolsonarista, a decisão dos congressistas vem na esteira da crise do PSL. Waldir vinha retaliando, desde a semana passada, deputados da ala dissidente, retirando-os de comissões e de posições na liderança do partido.

"A minha intenção é apenas manter o status quo, muitos deputados foram retirados de comissão, ocorreu uma retaliação e pareceu que se estava fazendo política com o fígado", disse Eduardo.

O filho do presidente também afirmou que sua indicação para ocupar a embaixada do Brasil em Washington é secundária.

"Todos os temas como embaixada, ou viagem para a Ásia, esses são temas secundários, a gente está aqui para cuidar dos nossos eleitores", afirmou. O mandato seria tampão. Washington está sem embaixador há meses.

Delegado Waldir chegou a dizer publicamente que Bolsonaro estava ligando para deputados para destituí-lo do cargo. "O presidente está ligando para cada parlamentar e cobrando o voto no filho dele", disse.

A ideia tem sido a de usar eventuais irregularidades nos documentos como justa causa para uma desfiliação de deputados da sigla, o que evitaria perda de mandato.

Como a articulação até agora criou um racha no partido que colocou em risco a pauta de votações no Congresso, a ordem de Bolsonaro a aliados tem sido de que a movimentação seja feita da forma mais discreta possível e que seja intensificada em novembro, quando ele voltar de viagem à Ásia.

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