A-A+

Líder indígena vai à Justiça contra Bolsonaro por racismo

Em vídeo, Bolsonaro defendeu que as comunidades indígenas se integrem ao restante da sociedade e avaliou que, cada vez mais, o índio está 'evoluindo' e se tornando um 'ser humano igual a nós'

Sonia Guajajara, coordenadora executiva da ApibSonia Guajajara, coordenadora executiva da Apib - Foto: Reprodução/ Twitter

A Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) vai entrar na Justiça contra o presidente Jair Bolsonaro por crime de racismo. O anúncio foi feito na noite desta quinta-feira (23) pela líder indígena Sônia Guajajara, coordenadora executiva da organização.

"Nós, povos indígenas originários desta terra, exigimos respeito. Bolsonaro mais uma vez rasga a Constituição ao negar nossa existência enquanto seres humanos", disse Sônia. "É preciso dar um basta a esse perverso", completou.

Em vídeo divulgado na quinta, o presidente defendeu que as comunidades indígenas se integrem ao restante da sociedade e avaliou que, cada vez mais, o índio está "evoluindo" e se tornando um "ser humano igual a nós".

Leia também:
'Cada vez mais o índio é um ser humano igual a nós', diz Bolsonaro
Ninguém melhor do que Regina Duarte para a Cultura, diz Bolsonaro

No vídeo, ele destacou que o Conselho da Amazônia, estrutura criada no inicio da semana e que será comandada pelo vice-presidente Hamilton Mourão, será responsável pela coordenação das atividades de proteção da floresta e também pela defesa das reservas indígenas.

Sônia Guajajara foi uma das lideranças indígenas reunidas pelo cacique Raoni na semana passada em encontro no Mato Grosso que condenou as políticas de governo de Bolsonaro para os indígenas e rechaçou projeto de lei que permite mineração em terras protegidas.

Durante cinco dias, 600 indígenas de 45 etnias defenderam a união do movimento indígena contra o governo.

A manifestação do presidente no vídeo provocou outras reações, como a do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Para ele, a fala do presidente é típica de um nazista.

O racismo de Bolsonaro foi criticado também pelo senador Fabiano Comparato (Rede-ES), que considerou o comentário inaceitável.

"Estimula a invasão de terras. O que mais falta ele falar ou fazer? Temos de rejeitar, veementemente, essas agressões", reagiu. O senador disse ainda que o presidente tem obrigação de oferecer a proteção do Estado aos indígenas.

Para a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), a visão que o presidente tem dos indígenas é colonialista e medieval. "Esse conceito atrasado é o que justifica o genocídio e o epistemicídio indígena", disse.

Outro parlamentar que reagiu foi Túlio Gadelha (PDT-PE). Para ele, racismo não é apenas crime e sim "o analfabetismo da alma".

Veja também

Senado aprova MP que altera tolerância no peso de caminhões e ônibus
cargas

Senado aprova MP que altera tolerância no peso de caminhões e ônibus

Conta de empresa de ex-mulher de Bolsonaro registrou 1.185 saques que somam R$ 1,1 milhão em espécie
BOLSONARO

Conta de empresa de ex-mulher de Bolsonaro registrou 1.185 saques que somam R$ 1,1 milhão em espécie