Política

Lideranças de centro lançam manifesto em prol da união

Acenando à direita, o manifesto fala em "postura firme" na segurança pública, "tolerância zero" com o crime organizado e desburocratização de licenciamento ambiental

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB)Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) - Foto: Wikipedia

Diante do protagonismo de pré-candidaturas mais à esquerda e à direita do espectro político, lideranças de partidos como PSDB, DEM, MDB, PPS, PV e PTB lançam nesta terça-feira (5) um manifesto para tentar evitar a fragmentação das legendas de centro na eleição presidencial. O texto de oito páginas já tem 30 signatários, entre políticos e intelectuais como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e agora busca apoio de outras pessoas.

Acenando à direita, o manifesto fala em "postura firme" na segurança pública, "tolerância zero" com o crime organizado e desburocratização de licenciamento ambiental. À esquerda, o grupo fala expressamente em continuar com o Bolsa Família, programa cuja manutenção foi uma das principais pautas da disputa entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) na eleição de 2014.

"O movimento não visa substituir o protagonismo de pré-candidatos ou dos partidos. Não é um movimento partidário. O manifesto não defende nomes, mas ideias e a convicção de que, se as forças democráticas se dividirem, teremos chance de repetir [a eleição de] 1989, quando essa fragmentação produziu a disputa entre extremos no segundo turno, Collor e Lula", disse o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), um dos idealizadores do manifesto.

O texto aborda as crises política e econômica vivenciadas no país e afirma que a eleição deste ano se apresenta "talvez como a mais complexa e indecifrável de todo o período da redemocratização". "É neste sentido que as lideranças políticas que assinam este manifesto conclamam todas as forças democráticas e reformistas a se unirem em torno de um projeto nacional, que a um só tempo, dê conta de inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento social e econômico, a partir dos avanços já alcançados nos últimos anos, e afaste um horizonte nebuloso de confrontação entre populismos radicais, autoritários e anacrônicos", diz o manifesto.

Principais pontos
Em 17 pontos, o texto defende liberdade e democracia; combate à corrupção; mudança do sistema educacional; equilíbrio fiscal, fortalecimento da administração pública e enxugamento do Estado; pacto federativo; reformas tributária, previdenciária e política; promoção de ciência e tecnologia. O manifesto se coloca contra todas as formas de autoritarismo e populismo.

"A demagogia e atitudes hostis à vida democrática devem definitivamente ser afastadas do cenário nacional. À direita, se esboça o surgimento de um inédito movimento com claras inspirações antirrepublicanas e antidemocráticas. À esquerda, uma visão anacrônica alimenta utopias regressivas de um socialismo autoritário e antidemocrático e de um Estado intervencionista e onipresente", diz o texto.

Com a assinatura do atual chanceler brasileiro, Aloysio Nunes (PSDB), o manifesto defende "política externa que privilegie os verdadeiros interesses nacionais, e não ultrapassadas e equivocadas identidades ideológicas". "É inadiável e inevitável a abertura externa de nossa economia", defende o texto. O manifesto pede ainda "uma postura firme" na segurança pública, "baseada no princípio de tolerância zero com o crime organizado".

O texto defende a qualificação do SUS (Sistema Único de Saúde); adoção de medidas "criativas e eficazes" para moradia e saneamento; desenvolvimento sustentável com estímulo à produção de biocombustíveis, mas sem deixar de lado o que o movimento chama de "nossa vocação petrolífera".

O manifesto toca em temas sensíveis como o meio ambiente, defendendo a "modernização da atividade de licenciamento ambiental", o que define como "rigor na defesa do meio ambiente [...] e desburocratizando e dando maior celeridade às licenças".

No último e mais longo tópico, o movimento aborda a pauta social. Fala-se de "combate sem trégua" à miséria, à pobreza e às desigualdades sociais e regionais. "As estratégias inclusivas devem sempre visar à emancipação do cidadão, a promoção de cidadania plena para todos e a mínima dependência do cidadão em relação à tutela estatal, embora programas de transferência de renda sejam fundamentais para o combate emergencial à miséria", diz o texto, que fala ainda em aprimorar programas de assistência social e defende expressamente o Bolsa Família.

"Aprimorar programas de assistência social, dando-lhes caráter transformador. Um exemplo é o Bolsa Família, que deve ser mantido, recuperando seu caráter educacional de quando foi criado com o nome de Bolsa Escola, reunindo propósitos de transferência de renda e garantia de acesso de todos à educação de qualidade", encerra o manifesto.

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