BRASIL

Live de Janja, linguagem neutra e Dilma Bolada: relembre polêmicas da EBC durante o governo Lula

Transmissão ao vivo de presidente no canal 2 da TV Brasil reacende críticas já feitas ao longo do mandato

Assim como Live de Lula e Janja, nomeação de criador do Dilma Bolada gerou polêmica na EBC Assim como Live de Lula e Janja, nomeação de criador do Dilma Bolada gerou polêmica na EBC  - Foto: Ricardo Stuckert/ Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tornou-se alvo de polêmica nesta terça-feira (13) ao realizar sua primeira live com apoio técnico da TV Brasil.

A transmissão ao vivo foi gravada diretamente do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, mas foi ao ar no segundo canal da emissora vinculada à estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC), além de ter contado com apoio técnico do órgão.

No entanto, esta não foi a primeira vez que a EBC, na gestão de Lula, recebeu críticas. Veja abaixo algumas polêmicas recente envolvendo a emissora.

Live de Janja
Em março, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, virou alvo de processos na Justiça Federal por ter usado as instalações da EBC para realizar uma transmissão ao vivo. Na ocasião, ela participou do programa "Papo de Respeito", da TV Brasil, que utilizou as dependências da emissora em Brasília e, além de Janja, contou com a participação da ministra das Mulheres Cida Gonçalves e da atriz e apresentadora Luana Xavier.

Opositores do governo entraram com ações sob a alegação de que o conteúdo teria ferido a autonomia da EBC e violado o princípio da impessoalidade no poder público.
 

"Eleites"
No primeiro mês da gestão petista, em reportagem sobre um encontro entre novos políticos LGBTQIAP+, a EBC referiu-se ao grupo como "parlamentares eleites", substituindo o artigo masculino do adjetivo para a chamada linguagem neutra. O título da reportagem — “Parlamentares eleites reúnem-se pela primeira vez em Brasília” — viralizou e recebeu comentários irônicos de nomes conservadores. “A pedido das parlamentares eleites, a repórter utilizou o gênero neutro nas construções das frases”, dizia a publicação. A Procuradoria-Geral da República chegou a ser notificada sobre o episódio.

A variação da norma gramatical é usada por grupos de pessoas agênero (que não se identificam com nenhum gênero) e não binárias (que não se identificam só com o gênero masculino nem só com o feminino). Ela consiste no uso da letra “e” em substantivos, em vez de “a” ou “o”, e dos pronomes “elu”, “delu”, “ile” e “dile”.

Dilma Bolada empossado
Também na EBC, o publicitário e criador do perfil Dilma Bolada, Jeferson de Oliveira Monteiro, assumiu um cargo de gerência. Monteiro ganhou projeção nacional em 2013, aos 23 anos, quando lançou a sátira on-line sobre a então presidente.

Na gestão da petista, chegou a ser recebido no Palácio do Planalto e se tornou um dos maiores personagens das redes sociais. Em 2017, em delação premiada, a publicitária Mônica Moura disse que ela e o marido, João Santana, pagaram R$ 200 mil a Monteiro durante a campanha eleitoral de 2014. O publicitário negou a informação.

Afago no MST
Recentemente, em meio à CPI do MST, o presidente da EBC, Hélio Doyle, defendeu que a população brasileira deve conhecer os pontos positivos do movimento social. A declaração fez com que seu nome fosse ventilado para uma possível convocação por parte da oposição de Lula, maioria no colegiado.

Em entrevista à Rede TVT, Doyle afirmou que a estatal responsável pelas mídias do governo promoverá uma cobertura "real" do movimento:

— Nós queremos mostrar as coisas como elas são. A linha é a seguinte: o que podemos mostrar de positivo do MST, que eles não mostram? É uma postura ideológica, mas não uma postura partidária. Postura ideológica no sentido de dar voz àqueles que não tem voz no sistema privado — disse.

Promessa de campanha
A vinculação recorrente entre governo e EBC contraria promessas de campanha de Lula. No ano passado, o então candidato prometeu que desfaria a fusão da TV Brasil com a antiga NBR, que veiculava informações sobre o governo federal por ser ligada à Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.

Após a medida implementada na gestão de Bolsonaro, o canal passou a transmitir, por exemplo, agendas do presidente. Apesar das críticas públicas por parte do governo, a separação ainda não foi formalizada.

Ao GLOBO, o presidente da EBC Hélio Doyle afirmou que a formalização será efetuada na segunda quinzena de julho. De acordo com o jornalista, apesar de ainda haver interligação contratual, o canal 1 da TV Brasil já não transmite conteúdo do governo, e o canal TV Brasil 2 será renomeado em breve.

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