Livro '1968: Abaixo as ditaduras' revisita as mudanças de 1968

Coletânea assinada por Homero Fonseca traz depoimentos sobre passagens históricas de um ano marcado por profundas alterações sociais

Intitulado '1968: Abaixo as ditaduras', o livro do jornalista Homero Fonseca será apresentado ao público no Museu do EstadoIntitulado '1968: Abaixo as ditaduras', o livro do jornalista Homero Fonseca será apresentado ao público no Museu do Estado - Foto: Reprodução

Uma coletânea de depoimentos sobre os acontecimentos históricos do ano de 1968, marcado por manifestações tanto nas democracias socialistas, quanto nos países do bloco soviético ou mesmo em regimes militares como o vivido no Brasil, será lançado na próxima quinta-feira (13).

Intitulado '1968: Abaixo as ditaduras', o livro do jornalista Homero Fonseca será apresentado ao público no Museu do Estado, às 19h, em uma data que faz alusão aos 50 anos da edição do Ato Institucional Nº 5 (AI-5) no Brasil, decreto baixado ao final daquele ano, marcado por profundas transformações sociais.

Organizador da obra, Homero convidou oito reconhecidos nomes para relatar as experiências vividas naquela época, assim como a visão de cada um a partir de um contexto particular, relativo às suas áreas de atuação. “A ideia foi fazer a nossa versão.

A versão dos participantes ou testemunhas daquela época. Essa é uma visão, é uma questão de ponto de vista. Nós pensamos em convidar pessoas que viveram aquela época e que pudessem dar um testemunho com um certo rigor analítico, mas também com a sua subjetividade, como pessoalmente viveram aquele período e que conclusões tiveram, passados tantos anos.”

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O livro reúne nomes como a socióloga Ester Aguiar, o economista e sociólogo José Almino Alencar, a historiadora Socorro Ferraz, o artista plástico Raul Córdula Filho, o poeta e músico Lourival Holanda; o poeta, ficcionista e cineasta Fernando Monteiro; o jornalista e compositor Marco Polo e o diretor e crítico teatral Benjamim Santos.

De acordo com Homero, foram priorizadas as áreas de importância cultural, política e econômica. “Cada um escreveu a sua experiência e sua análise, a partir de Pernambuco, com uma exceção que é o contraponto, que é um que era pernambucano e se encontrava em Paris naquele momento (José Almino Alencar)”, explica.

Entre as conclusões após a finalização das pesquisas e da consolidação dos relatos, para Homero, está a de que - apesar de historicamente o ano ter sido marcado por uma manifestação estudantil em prol das liberdades, com adesão de sindicatos de trabalhadores de várias categorias reivindicando melhores salários e menor jornada de trabalho, com protestos que culminaram numa greve geral, a maior do país, que em maio paralisou a França por dez longos dias - os movimentos não iniciaram-se lá.

“Tudo aquilo foi muito importante, mas não começou em Paris, não foi só em maio e nem foi só no ano de 68. Como todo grande evento histórico complexo, ele tem raízes no passado e projeta seus frutos para o futuro”, ponderou.

Para o jornalista, o seu livro é essencial para os mais jovens compreenderem nossa história e para complementar o conhecimento dos mais velhos com o relato pessoal dos ensaístas. “No momento que as pessoas conhecem melhor a história, elas compreendem melhor o presente. Toda lição da história é importante para entender o presente”, ressaltou o jornalista Homero Fonseca.

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