Magistrado prevê a ‘derrota do lavajatismo’ no julgamento do STF

O comentário foi feito pelo desembargador Alfredo Attié Júnior, depois do voto da ministra Rosa Weber

Supremo vota prisão após 2ª instância Supremo vota prisão após 2ª instância  - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O desembargador Alfredo Attié Júnior, do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), entende que a volta da proibição de prisão automática em segunda instância será a "derrota do lavajatismo, de uma jurisprudência que contrariava cláusula pétrea constitucional, a garantia da presunção de inocência".

O comentário foi feito depois do voto da ministra Rosa Weber, na quinta-feira (24), acompanhando o voto do relator, ministro Marco Aurélio, no julgamento sobre a constitucionalidade da prisão após condenação na segunda instância.

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"Dificilmente os defensores e atores do lavajatismo vão se recuperar dessa derrota. Dentre eles estão (o presidente Jair) Bolsonaro e seu ministro da Justiça (Sergio Moro), escolhido antes de terminado o pleito eleitoral de 2018", diz Attié Júnior.

Para o presidente da Academia Paulista de Direito, a decisão do STF "tem reflexos no questionamento da validade e legitimidade dessa eleição". Attié Júnior diz que o país vive um "momento dramático, com paixões negativas, como o ódio". "Grupos de pessoas parecem querer algum apoio, e aderem a qualquer oferta de salvação, como se a corrupção pudesse ser resolvida com um passe de mágica."

Ele diz que, em 2016, o STF criou uma falsa expectativa, "trouxe para a sociedade uma decisão que contrariou o artigo 5º da Constituição, uma garantia contra o arbítrio de poder". "Juízes não podem alterar as leis. O STF tem oportunidade, agora, de fazer uma correção de erros", diz o magistrado.

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