Magistratura não descarta parar

Juiz, responsável, na primeira instância, pelos processos da Lava Jato, fala em “consequências imprevisíveis para o futuro do País”

Segunda pesquisa Ipespe/Folha de Pernambuco ao Governo de PernambucoSegunda pesquisa Ipespe/Folha de Pernambuco ao Governo de Pernambuco - Foto: Arte/Folha de Pernambuco

Ainda não há nada oficializado, mas, nos grupos de WhatsApp e internamente, representantes da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) já falam em possível paralisação em resposta aos últimos episódios no Congresso Nacional. Não se descarta uma greve de juízes e integrantes de MP. A tentativa de alterar a legislação para anistiar o Caixa 2 não é a única preocupação. O projeto sobre abuso de autoridade, em tramitação no Senado é o outro ponto nevrálgico. Em uma das convocações feitas ontem, um dirigente, ao cogitar “parar”, falava em “questão de sobrevivência”. Uma das ideias consideradas é fazer um ato em frente ao STF. A nota assinada pelo juiz Sérgio Moro e com timbre da Justiça Federal foi outra mola propulsora para desencadear uma mobilização nacional. O gesto dele foi considerado fato “raríssimo”, entre membros da magistratura, considerando o estilo de Moro. No texto, o juiz, responsável, na primeira instância, pelos processos da Lava Jato, fala em “consequências imprevisíveis para o futuro do País”, caso se consolide a opção de “anistiar condutas de corrupção e de lavagem”. Ele estende, assim, o conceito de Caixa 2, lembrando que a anistia iria além de impactar nas investigações e processos da Lava Jato. Um dos envolvidos na mobilização, em reserva, arremata: “A Justiça Eleitoral foi transformada numa grande lavanderia de dinheiro”. Refere-se aos casos de propinas travestidas de doações, registradas no TSE.

Balão de ensaio
Deu-se o recuo organizado na Câmara Federal em relação à anistia ao Caixa 2. A votação acabou ficando para a terça-feira. Mas o presidente, Rodrigo Maia, já avisou que não aceita “um poder querer subjugar outro”. Parece ter sido o balão de ensaio dos deputados para ver até onde a corda esticava.

Tamo junto > Ao atender pedido para tirar fotos, em evento em São Paulo ontem, quatro governadores buscavam se posicionar, quando Geraldo Alckmin saiu do lugar no qual estava, andando para o local onde pretendia se fixar, e sapecou: “Vou ficar ao lado do Paulo (Câmara)”.

Se chegando > A relação dos dois parece avançar. Recentemente, Alckmin almoçou com Câmara no Palácio das Princesas. Em entrevista posterior, Paulo acenou ao vice do governador paulista, Márcio França, e, consequentemente, a Alckmin.

Sintonia > Apesar de serem de gerações diferentes, Alckmin e Paulo são discretos, acumulam fama de pirangueiros e não são dos mais chegados a holofotes. Ontem, estavam combinando a cor da gravata: azul clara. Foi durante o lançamento do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde.

PEC 55... >
“A PEC 241 e os seus efeitos” é o tema da palestra que o senador Armando Monteiro vai ministrar no Congresso da União dos Vereadores de Pernambuco (UVP), em Ipojuca.

...em pauta > O petebista fala no domingo, às 11h. A PEC, que no Senado passou a ser chamada PEC 55, vem gerando debates em todo o País e deve ser votada, em primeiro turno, na Casa Alta no próximo dia 29. Armando já se posicionou a favor da proposta.

Estatais 1 >
A privatização deve ser o principal assunto da pauta a ser debatida com as companhias de abastecimento de 25 estados durante o Seminário Nacional Saneamento Sustentável, promovido pela Associação Brasileira das Empresas Estatais de Saneamento, que tem no comando Roberto Tavares, presidente da Compesa.

Estatais 2 > Depois da reunião dos governadores com o presidente Michel Temer, esta semana, que girou em torno da crise fiscal, o assunto ganha força. O evento ocorre entre os dias 28 e 30 de novembro, em Brasília, no Hotel Royal Tulip.

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