Maia descarta mudança de agenda política do centrão por apoio a Bolsonaro

Maia disse não estar pensando ainda em sucessão e alfinetou movimentações nesse sentido

Rodrigo MaiaRodrigo Maia - Foto: Tânia Rego / Agência Brasil

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), descartou nesta quinta-feira (7) qualquer mudança na agenda política dos partidos do chamado centrão em virtude do apoio deles ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Nas últimas semanas, Bolsonaro, eleito com plataforma que pregava o fim da "velha política" de troca de cargos por apoio no Congresso, iniciou conversas com líderes do bloco, formado por siglas como PP, PL e Republicanos.

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Em videoconferência com Ana Paula Vescovi, economista-chefe do banco Santander Brasil, Maia considerou válida a aproximação de Bolsonaro com o centrão para ajudar o governo a montar uma base de apoio a seus projetos no Legislativo."Essa relação é sempre positiva, porque facilita o diálogo do governo com os outros parlamentares e com a Presidência da Câmara", disse. "É bom que o governo tenha um líder que consiga articular o número de partidos, o número de votos, e somado àqueles que têm convergência histórica com a pauta mais liberal na economia do ministro Paulo Guedes [Economia], se mantém uma maioria para se votar as matérias relevantes."

Maia, a seguir, descartou que a migração para a base do governo vá modificar as diretrizes políticas seguidas por esses partidos. "Não acho que esses partidos, os que estão no governo, os que não foram para o governo, como MDB, PSDB, DEM, PPS e Solidariedade, vão mudar sua agenda porque uma parte resolveu formar uma base do governo e a outra não", disse. "O importante é que todos continuam com a mesma agenda."

Sobre a mesa de negociações estão cargos de segundo e terceiro escalão da máquina federal, postos cobiçados por caciques partidários para manter seu grau de influência em Brasília e nos estados. Em troca, eles oferecem apoio para aprovar projetos do governo e, principalmente, evitar a abertura de um possível processo de impeachment contra Bolsonaro. Gigantes do chamado centrão, como PP, PL e Republicanos, estão gerenciando a distribuição de cargos do governo federal para atrair partidos menores para a base de apoio de Bolsonaro.

O Diário Oficial da União desta quarta-feira (6), por exemplo, trouxe a nomeação de Fernando Marcondes de Araújo Leão como diretor-geral do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), com salário de R$ 16.944,90. A autarquia federal, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, é responsável pela construção de barragens e açudes nas regiões áridas do país. Tem forte caráter assistencial no interior do Nordeste.

Parlamentares e um técnico do governo disseram à reportagem que a indicação de Leão para o cargo foi levada ao governo pelo líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), um dos interessados em disputar a sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara em fevereiro de 2021. Sucessão na Câmara Além da negociação de cargos, a sucessão à Presidência da Câmara também está entre os motivos que levaram líderes do centrão a se aproximarem do governo. O líder do PP, Arthur Lira (AL), é um dos nomes cotados para a disputa ao comando da Casa.

Nesta quinta, Maia disse não estar pensando ainda em sucessão e alfinetou movimentações nesse sentido. "Se eu tiver dois votos, quem estiver tratando da minha sucessão agora não vai ter meu voto, pelo menos. Eu acho que não é hora de tratar de sucessão." Apesar disso, ele defendeu que o próximo presidente da Câmara dialogue com todos os espectros políticos na Casa. "Acho que vai ter que respeitar as diferenças da Câmara, porque as diferenças da Câmara são as diferenças que existem na sociedade."

Maia afirmou ainda que seu sucessor deveria manter na agenda econômica uma maioria que respeite sempre a linha de modernização do estado, de melhoria da qualidade do gasto e de dar mais segurança jurídica para investidores.

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