Maia fala em 'tomar cuidado', e deputados aguardam mais de Moro

Há munição por vir na aposta de parlamentares

O deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da CâmaraO deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara - Foto: Agência Brasil

Em meio a pedidos de inquérito, de impeachment, de CPIs e de CPMI, parlamentares apostam que ainda há "muita coisa de (Sérgio) Moro para vir à tona". O argumento encontra eco em deputados de diferentes partidos. Em outras palavras, uma bolsa de apostas, no Congresso, dá conta de que o ex-juiz deve estar municiado de material mais extenso do que o que trouxe a público em relação ao presidente Jair Bolsonaro, e por isso, avaliam que é hora de aguardar os desdobramentos. Ontem, ao quebrar o silêncio e se pronunciar sobre os quase 30 pedidos de impeachment protocolados, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, defendeu que é preciso "tomar cuidado". Antes, pontuou: "Quando você trata de um tema como um impeachment, eu sou o juiz" e seguiu: "Então é uma questão que a gente tem que tomar cuidado". Com a liderança posta em xeque pela composição que o governo faz com o centrão, Maia ganha tempo ao observar a movimentação.

Nos bastidores, parlamentares repisam que o centrão "não é pilar confiável" para o governo contra eventual processo de impeachment. E seguem lembrando que "na hora que faltam condições políticas, eles são os primeiros a pular do barco". Sobram comparações com episódios ocorridos com a ex-presidente Dilma Rousseff. Para parlamentares atentos às negociações, o centrão tirou o "que podia e não podia" da petista e, mesmo assim, ela não pode contar na hora "H". Agora, realçam que "nem o governo entrega e nem eles se satisfazem, sendo uma parceria que tem tudo para dar errado". Ontem, o vice-presidente, Hamilton Mourão, definiu essa construção como uma "aproximação mais cerrada junto aos partidos de modo que construa base". A conferir.

 

Batata quente com STF
Presidente do Republicanos em Pernambuco, o deputado federal Silvio Costa Filho observa que é cedo para saber "se vai haver impeachment ou não". O parlamentar argumenta que "antes de ouvir", "de aguardar um desfecho no Supremo", tudo é muito "prematuro". Ele adverte que, "diferente do que foi Collor lá atrás, um movimento que partiu das ruas, nesse caso do presidente Jair Bolsonaro, o Supremo passa a ser o principal protagonista".
Razão > Do líder do PDT na Câmara Federal: "Tudo que Bolsonaro disse de Moro é verdade. E tudo que Moro disse de Bolsonaro também é. Os dois estão certos no que dizem um do outro. Mas, enquanto eles se digladiam, as pessoas morrem".
CPMI > Wolney é autor de um pedido de criação de uma CPMI para investigar a suposta interferência política na Polícia Federal, como foi colocado pelo ex-ministro Sérgio Moro. Há pedidos de CPI encaminhados ainda pelo PSB, Cidadania, PT, e PSL.
Esticando... > Na avaliação do deputado Eduardo da Fonte, o ministro Paulo Guedes tem "política negativista em relação ao Estado financiar o desenvolvimento do País". Ele pondera o seguinte: "Nesse momento, o mundo todo vai usar o Estado para financiar as máquinas dos países e isso vai ser necessário no País".
...a corda > Eduardo da Fonte, à coluna, aposta: "Vai chegar num ponto em que Paulo Guedes vai ter que mudar de ideia, ou vai ter que sair. Não tem outra alternativa para economia ser retomada".
Tamo junto > Ontem, o presidente Jair Bolsonaro, após de reunir com Guedes, em meio a rumores de eventual saída do ministro do governo, declarou: "O homem que decide economia no Brasil é um só, chama-se Paulo Guedes". 

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