Congresso

Maia vê Baleia à frente de Lira, mas admite traição de um terço do seu partido na eleição da Câmara

Segundo Maia, cerca de 20 a 22 deputados do DEM devem votar em Baleia, o que equivale a dois terços da bancada da sigla na Câmara

Rodrigo MaiaRodrigo Maia - Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

 O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu nesta segunda-feira (25) que um terço da bancada de seu partido deve votar no deputado Arthur Lira (PP-AL) na eleição para a presidência da Casa, e não no candidato que conta com seu apoio, Baleia Rossi (MDB-SP).

Segundo Maia, cerca de 20 a 22 deputados do DEM devem votar em Baleia, o que equivale a dois terços da bancada da sigla na Câmara.

"Certamente nós daremos mais de dois terços dos votos do DEM", afirmou. O partido tem 29 deputados.
As projeções do presidente da Câmara apontam ainda para um segundo turno na eleição para o comando da Câmara, com Baleia à frente de Lira, candidato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).


Maia expôs os cálculos e disse estar "muito convicto" de que, neste momento, a maior probabilidade é da vitória de Baleia. "As nossas projeções, os nossos números e as nossas indicações caminham para um segundo turno, onde o Baleia vai terminar o primeiro turno em primeiro lugar", disse. "Então acho que hoje, pelas nossas projeções, o Baleia já passou a ser favorito."

Maia contabilizou cerca de 230 votos para Baleia, que é presidente do MDB, e afirmou que, com a candidatura do deputado Fabinho Ramalho (MDB-MG), Lira teria menos de 200 votos –segundo o atual presidente da Câmara, o colega de partido de Baleia contaria com o apoio de 50 deputados.

Para ser eleito presidente da Câmara em primeiro turno, o candidato precisa de 257 votos –são 513 deputados no total.
"Mas acho que essa eleição vai ser uma eleição de dois turnos e tenho confiança, pelas nossas projeções, que a gente vai terminar o primeiro turno em primeiro lugar e o segundo turno nós vamos abrir uma diferença maior do que o previsto por vocês [jornalistas] entre o Baleia e o candidato do presidente Bolsonaro", disse.

Maia afirmou ainda que a votação deve começar por volta das 22h da próxima segunda-feira (1º). "Eu não posso encerrar o bloco [para as eleições] 1 da manhã, 2 da manhã, então tem que ser até um horário razoável, meio-dia, 13h", afirmou. "A partir daí, com os blocos formados, esperar um tempo para que os blocos organizem a escolha das suas vagas. Então isso demora tempo."

Em decorrência da pandemia da Covid-19, Maia defendeu que sejam liberados da votação os deputados com comorbidades e que façam parte de grupos de risco.

"Eu não acho que a gente deve liberar todos da votação presencial, mas aqueles que estão acima de 60 anos ou 65, aqueles com comorbidades e que não tiveram ainda o vírus ou que tiveram nos últimos 4 meses, poderiam votar de forma remota", disse. Isso retiraria da Câmara de 80 a 100 parlamentares, complementou.

Também nesta segunda-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), confirmou que a eleição para a presidência da Casa será no dia 1º, às 14h.

"Convoquei a reunião preparatória para eleição do presidente do Senado Federal para segunda-feira (1º), às 14h. A Casa está preparada com todas as medidas de segurança contra a Covid-19", escreveu em redes sociais.

A eleição para a presidência do Senado será presencial. De acordo com o regimento, será considerado eleito presidente o candidato que obtiver a maioria dos votos presentes. No entanto, na última eleição, em 2019, por meio de uma questão de ordem, o então presidente Eunício Oliveira (MDB-CE) havia determinado que seriam necessários 41 votos –o que corresponde à maioria absoluta– para vencer o pleito.

A assessoria de imprensa do Senado vem informando que esse segundo modo será o adotado na eleição da próxima semana.

São quatro candidatos na disputa: Simone Tebet (MDB-MS), Rodrigo Pacheco (DEM-MG), Major Olímpio (PSL-SP) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO). Os dois últimos, no entanto, vem indicando que apoiam Tebet na disputa e devem manter as candidaturas para poderem fazer uso da tribuna como candidato no dia da eleição.

Em sua entrevista coletiva, Maia ironizou declarações do deputado Arthur Lira de que pretendia ser mais propositivo nesta última semana de campanha, em resposta ao que considerou agressões vindas do bloco do líder do centrão.
"Hoje ele [Lira] diz que vai adotar nessa semana outro estilo, vai sair de um estilo mais agressivo para um estilo mais light. Eu imagino que ele deva então ter recuperado a senha dele [das redes sociais]", afirmou Maia.

"Que como esse vírus [em referência ao que qualificou de nacional populismo de Bolsonaro] circula muito, ele no momento da agressão deve ter transferido a senha das redes sociais dele para o Carlos Bolsonaro e o gabinete do ódio."
"É só por isso que eu imagino que ele possa ter ficado tão agressivo nas redes sociais e hoje ele deve estar dizendo que vai ficar mais calmo porque ele vai recuperar a senha dele", afirmou.

O deputado General Peternelli (PSL-SP) oficializou nesta segunda-feira sua candidatura à presidência da Câmara. Ele negou ter assinado a lista do partido que colocou o PSL, antes no bloco de Baleia, entre os apoiadores de Lira.

"Eu acho importante os partidos se reunirem, debater ideias, discutir ideias e disponibilizar e tomar uma decisão democrática. Dentro desse foco, eu conversei com todos, e meu objetivo principal não é tirar voto de A, de B, de C", afirmou Peternelli. "Meu objetivo principal é debater ideias, é isso que me move na Câmara dos Deputados."

Além de Baleia, Lira, Ramalho e Peternelli, são candidatos à presidência da Câmara os deputados Capitão Augusto (PL-SP), André Janones (Avante-MG), Alexandre Frota (PSDB-SP), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Luiza Erundina (PSOL-SP).

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