Mais da metade dos brasileiros defende paridade de gênero no Legislativo, diz pesquisa

Com 53 deputadas federais e 13 senadoras, o Brasil ocupa atualmente a 152ª posição no ranking mundial de igualdade no Parlamento.

O salário de homens é, em média, 10 mil reais superior ao das mulheres em cargos de direção.O salário de homens é, em média, 10 mil reais superior ao das mulheres em cargos de direção. - Foto: Pixabay

Mais da metade dos brasileiros defende a paridade de gênero no Legislativo. É o que mostra uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Ibope, em parceria com a ONU Mulheres e o Instituto Patrícia Galvão. De acordo com o levantamento, 57% concordam totalmente que a paridade deveria ser obrigatória em todos os níveis do Legislativo. Outros 20% concordam em parte.

Os entrevistados responderam à pergunta: Pensando que as mulheres são, hoje, mais da metade da população brasileira, gostaria que você falasse se concorda ou discorda com as seguintes frases: Deveria ser obrigatório que as câmaras de vereadores, assembleias legislativas estaduais e o Congresso Nacional tivessem metade de homens e metade de mulheres.

Com 53 deputadas federais e 13 senadoras, o Brasil ocupa atualmente a 152ª posição no ranking mundial de igualdade no Parlamento. Para a representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, o estudo desconstrói o argumento de que o brasileiro não se importa com questões de gênero e com a igualdade no Congresso.

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Além do percentual da população que defende a paridade nas esferas do Legislativo, para 54% a presença de mulheres aprimora a política e os espaços de decisão.

Nesse caso, os entrevistados responderam à seguinte questão: Pensando que as mulheres são, hoje, mais da metade da população brasileira, gostaria que você falasse se concorda ou discorda com as seguintes frases: A presença de mulheres na política e em outros espaços de poder e de tomada de decisão resulta numa melhoria da política e desses espaços.

Foram feitas 2.002 entrevistas por amostragem com homens e mulheres de 16 anos ou mais em 141 municípios, entre 16 e 20 de agosto. A margem de erro do estudo é de 2 pontos percentuais. "Estamos fazendo um esforço para que as mulheres votem em mulheres e homens comprometidos com a igualdade", afirma Nadine.

Para isso, a ONU Mulheres lança também nesta sexta a plataforma #Brasil5050, em que candidatos poderão se comprometer com os direitos das mulheres e políticas para a igualdade de gênero. A página também servirá como fonte de pesquisa para o eleitorado.

A demanda por políticas que garantam igualdade de gênero tem aparecido no debate presidencial. Marina Silva (Rede) questionou Jair Bolsonaro (PSL) sobre a questão da desigualdade salarial entre homens e mulheres.  O deputado afirmou que não cabe ao governo interferir na questão, que já está resolvida pela CLT. Marina não aceitou a resposta do parlamentar. "Não é uma questão de que não precisa se preocupar. Tem que se preocupar sim", disse a Bolsonaro.

Guilherme Boulos (PSOL) disse na sabatina promovida por Folha, UOL e SBT que vai criar a "lista suja do machismo", para punir empresas que pagam menos para mulheres. Já Henrique Meirelles (MDB) ao ser sabatinado afirmou que vai ampliar políticas para evitar feminicídios.

Segundo o estudo, os entrevistados consideram extremamente importante que o Executivo Federal incentive o acesso de mulheres e homens às mesmas oportunidades de trabalho e salários (81%) e assegure oportunidades iguais de atuação em partidos políticos e governos para mulheres e homens (72%).

Nadine reforça que o investimento em políticas que gerem igualdade não é apenas uma questão de direitos humanos, mas também econômica. "Há estudos que falam que se as mulheres ganhassem o mesmo, o PIB mundial seria 30 trilhões de dólares maior", afirma.

Sobre o sistema político, ela afirma que existem vários entraves que impedem que as candidaturas de mulheres tenham o mesmo espaço das dos homens. Para mudar esse cenário, é necessário eleger congressistas que apoiem tais mudanças. "Acreditamos que esse é um momento importante para que os eleitores façam uma escolha por mais mulheres e homens que se eleitos se comprometam em fazer reformas no sistema político para garantir a paridade. O Brasil precisa aprimorar o seu sistema para que mulheres e homens tenham as mesmas oportunidades", afirma.

A legislação atual determina que 30% das candidaturas ao Legislativo sejam de mulheres e que 30% do fundo partidário seja destinado às candidaturas femininas.

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