Manifestantes vão à av. Paulista em apoio a pacote de combate à corrupção

O ato foi convocado pelo movimento Vem Pra Rua, que organizava no começo do ano manifestações pedindo o impeachment da então presidente Dilma Rousseff

Paulo Câmara, Luciana Santos e Gleisi HoffmannPaulo Câmara, Luciana Santos e Gleisi Hoffmann - Foto: Divulgação

Manifestantes favoráveis ao pacote de medidas elaboradas pelo Ministério Público Federal para o combate à corrupção se reuniram em frente à sede da Fiesp, na avenida Paulista, na tarde deste domingo (20), na capital paulista.

O ato foi convocado pelo movimento Vem Pra Rua, que organizava no começo do ano manifestações pedindo o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). "O povo estava ansioso pra vir para a rua de novo", afirma o líder do Vem Pra Rua, Rogério Chequer.

Em fala sobre o palco montado na frente da Fiesp, uma das principais apoiadoras dos movimentos pró-impeachment, ele discursou a favor do pacote de medidas, que disse estar sob ameaça, e elogiou a equipe da Operação Lava Jato. "Os políticos estão desesperados, estão topando qualquer coisa. Eles não têm mais medo de não se reeleger, têm medo de ir pra cadeia", afirmou.

Segundo ele, o movimento chegou a receber ameaças por defender a aprovação das medidas, que tiveram o apoio de cerca de dois milhões de eleitores.
Na rua, manifestantes com camisas do Brasil e cartazes de apoio à Lava Jato ou com dizeres como "Fora Renan [Calheiros, presidente do Senado]" gritavam "Lula na cadeia" e "Moro, Moro!". Foi inflado o "Pixuleko", boneco que retrata o ex-presidente Lula com roupas de presidiário, marca dos atos anti-Dilma.

Confusão

Também na avenida, em frente ao Masp, se reuniam manifestantes que participavam das comemorações do Dia da Consciência Negra. Traziam broches com os dizeres "Fora, Temer" e camisetas de movimentos de esquerda. Alguns trajavam camisetas do Partido dos Trabalhadores.

Houve um princípio de confusão entre os dois grupos quando manifestantes do Vem Pra Rua se aproximaram do prédio do museu. A polícia formou um cordão separando os dois atos.

"Nós reservamos esse espaço há mais de três meses", afirmou o jornalista Marcos Cordeiro, um dos organizadores da 13a Marcha da Consciencia Negra. "Eles vieram como provocação."

Chequer rebate, afirmando que o ato dos movimentos negros estaria marcado para a parte da manhã. "Eles se recusaram a sair", disse.

A reportagem não constatou a presença ostensiva de policiais na manifestação do Vem Pra Rua, que conta, segundo Chequer, com cerca de 10 mil pessoas. Cerca de cinco viaturas da Força Tática da Polícia Militar acompanhavam a marcha dos militantes do movimento negro.

Em Brasília

Em Brasília, cerca de cem manifestantes se reuniram no gramado em frente ao Congresso Nacional, na tarde deste domingo, em defesa das dez medidas anticorrupção do Ministério Público. Entre eles, pessoas que pedem uma intervenção militar no país.
Na quarta-feira (16) o plenário da Câmara foi invadido por um grupo de 50 pessoas que pregavam a volta dos militares ao poder.

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