Marinho e relator da reforma tributária acenam ao Nordeste
Proposta de Henry consiste em a União ceder 1% da fatia que lhe cabe do IBS
Não foi só uma parte da bancada do Nordeste que, reunida pelo presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, conferiu, ontem, a apresentação do deputado federal Raul Henry sobre o Nordeste. A explanação se deu na residência oficial do democrata, como a coluna antecipou. Além do relator da reforma tributária, deputado Aguinaldo Ribeiro (PB), que é líder da maioria, o encontro contou ainda com a presença ainda do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, empossado na última terça. Assim, o café da manhã oferecido por Maia deve ter sido, praticamente, o primeiro compromisso oficial do ministro, que não chegou a levar propostas concretas para região, o que foi visto como compreensível pelos deputados, dado que não houve tempo hábil. Marinho, no entanto, se colocou à disposição. A ida dele ao café ficou registrada como gesto.
Raul, por sua vez, além do diagnóstico da região, apresentou uma proposta que consiste em a União ceder 1% da fatia de 9% que lhe cabe do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A alíquota é de 25%. Por essa conta, o Nordeste teria um montante de R$ 40 bilhões ao ano para formação de um fundo voltado a investimentos em infraestrutura (R$ 20 bilhões) e capital humano (R$ 20 bilhões), a exemplo de experiências da União Europeia. Em decorrência, o emedebista defendeu que seja ampliado o Conselho Deliberativo da Sudene, que passaria a contar com uma representação do Congresso Nacional. A distribuição dos recursos se daria de forma proporcional à população de cada Estado. O debate guarda uma sinergia com a reforma tributária. E Henry ficou de ter uma outra conversa com Maia, que, de certa forma, emprestou o prestígio que tem como presidente da Câmara a um tema que parece querer sublinhar: o Nordeste.

