São Paulo

Ministro é vaiado ao citar Lula durante Marcha para Jesus

Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União, mencionou o presidente em discurso diante de evangélicos participantes do ato desta quinta-feira, em São Paulo

Palco da Marcha para Jesus, no Campo de Marte, em São Paulo Palco da Marcha para Jesus, no Campo de Marte, em São Paulo  - Foto: Hyndara Freitas/Agência O Globo

O advogado-geral da União, Jorge Messias, foi vaiado nesta quinta-feira ao citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Marcha Para Jesus, em São Paulo.

Lula foi convidado a participar do evento religioso que ocorreu no Campo de Marte, mas recusou e mandou seu ministro como representante.

Em seu breve discurso, Messias afirmou que Lula quer a paz do país, mas ouviu vaias de diversas pessoas presentes no local.

— Meus irmãos, nós não vivemos para esse mundo, vivemos pro reino. E é isso que nos diferencia e por isso estamos aqui hoje. Eu vim aqui dizer pra vocês, a pedido do presidente, que no Brasil há homens e mulheres que vivem para o reino e nós entendemos que nós estamos lá não por nossas próprias pernas, mas fomos escolhidos por Deus. Nosso povo quer paz e nós vamos trabalhar pela paz, foi isso que o presidente pediu que eu falasse pra vocês hoje — declarou Messias.

Tarcísio marca presença
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, subiu ao palco por volta das 16h40, e fez um discurso estritamente religioso. Citou versículos bíblicos e disse que era "uma bênção saber que tem tanta gente buscando a Deus".

Ele foi bem recebido, com gritos animado de "Tarcísio, Tarcísio". Após sua fala, foi possível ouvir alguns gritos isolados de pessoas falando "cadê o [Jair] Bolsonaro?". O GLOBO apurou que a organização do evento chamou o ex-presidente, mas ele não aceitou comparecer.

O evento evangélico, que em edições passadas contou com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, e outros membros do governo do primeiro escalão, neste ano teve tom político mais tímido.

Durante a marcha e na Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, na Zona Norte da capital, onde estava o palco principal, não se viam bandeiras ou faixas relacionadas a políticos. Nos discursos de pastores e lideres religiosos, nenhuma menção a Bolsonaro.

Além das camisetas com a marca Marcha Para Jesus, algumas pessoas e vendedores ambulantes exibiam bandeiras do Brasil e de Israel. Folhetos de uma organização chamada Igreja Sem Política estavam sendo distribuídos.

O ato teve início às 10h da manhã na Avenida Tiradentes, na Luz, Centro de São Paulo, e seguiu pela Avenida Santos Dumont até a praça na região de Santana, Zona Norte, onde ocorreram as apresentações de artistas gospel e discursos de pastores e políticos.

Ainda marcaram presença na marcha a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), a secretária estadual de Políticas para a Mulher, Sonaira Fernandes (PL), o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), o deputado federal Gilberto Nascimento (PSD-SP).

A Marcha Para Jesus está em sua 30ª edição e foi inspirada em um evento do mesmo nome realizado em Londres. A igreja Renascer em Cristo, do apóstolo Estevam e da bispa Sônia, é a detentora da marca no país.

O evento, que é realizado anualmente em São Paulo e tem apoio financeiro da prefeitura por meio da SPTuris, faz parte do calendário oficial do país desde setembro de 2009, quando o então presidente Lula sancionou a Lei.12.025. De acordo com os organizadores, neste ano 11 mil caravanas de várias partes do país vieram para o evento.

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