Moraes será sabatinado hoje pelo Senado Federal

Oposição promete não dar folga ao aliado de Temer, que deve enfrentar horas de perguntas constrangedoras

Apesar de contar com maioria dos senadores, Moraes vai enfrentar um longo ritualApesar de contar com maioria dos senadores, Moraes vai enfrentar um longo ritual - Foto: José Cruz/Agência Brasil

Apesar de ter a eleição para o Supremo Tribunal Federal garantida, a oposição ao governo Michel Temer no Senado pretende submeter o ex- ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, a uma longa sabatina, que acontecerá, nesta terça-feira (21), a partir das 10h, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Mesmo sabendo que é praticamente impossível barrar o indicado do Planalto à vaga de ministro do STF por causa da maioria governista, os senadores pretendem chamar atenção para pontos polêmicos do currículo de Moraes.

A oposição também vai questionar a legitimidade de Edison Lobão (PMDB-MA), presidente da CCJ, para comandar a sessão. Assim como outros nove integrantes do colegiado, Lobão é alvo da Operação Lava Jato.

Ontem, parlamentares do bloco anti-Temer reuniram-se para reuniram-se, ontem, para estabelecer a estratégia de atuação na sessão. A oposição pretende dar o troco nos hoje governistas que, em 2015, submeteram o advogado Luiz Edson Fachin, indicado da então presidente Dilma Rousseff à Suprema Corte, a 12 horas de sabatina. Na lista de temas que querem abordar, estão a filiação de Moraes, até pouco tempo atrás, ao PSDB, a acusação de ter copiado trechos da obra do jurista espanhol Francisco Rubio Llorente (1930-2016) e a sabatina informal a que foi submetido no barco de um senador, recentemente. Também vão querer saber como ele pretende atuar como revisor das ações da Lava Jato em plenário, cargo que herdará caso seja aprovado na sabatina.

"O senhor ministro do Supremo Tribunal Federal tem que ir para lá (STF) para cumprir o papel que a Constituição reza e não para blindar parlamentares da Lava Jato, para inibir investigações", disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

O líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), disse esperar uma
sabatina longa e politizada. "É natural, faz parte. Quem quer ser ministro do
Supremo tem que estar preparado para tudo isso", afirmou Jucá, também investigado .

Passo a passo


Após mais de uma semana de peregrinação no Senado, Moraes será avaliado pelo colegiado e, caso seja mesmo aprovado, terá seu nome levado à apreciação do plenário da Casa. Esta segunda votação poderá acontecer ainda hoje. A confirmação de Moraes como ocupante da vaga deixada por Teori Zavascki, morto em janeiro, é condição para que Temer anuncie quem será o novo ministro da Justiça.

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