Moro afirma que pode ter "errado" ao liberar áudio de Dilma e Lula

Revelação do material, que incluía um telefonema de Dilma Rousseff para Lula, agravou a crise vivida no governo federal à época

O juiz Sergio MoroO juiz Sergio Moro - Foto: Patrícia de Melo Moreira/ AFP

Na sentença em que condenou o ex-presidente Lula a prisão, na quarta (12), o juiz Sergio Moro mencionou a polêmica divulgação de áudios de conversas do petista, em 2016, e disse que pode "ter errado" na iniciativa.

A revelação do material, que incluía um telefonema de Dilma Rousseff para Lula, agravou a crise vivida no governo federal à época, que culminou no afastamento da então presidente no Congresso em maio do ano passado.

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Moro lembrou que o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki criticou na ocasião a medida com "palavras duras".

"Ainda que, em respeito à decisão do Supremo Tribunal Federal, este julgador possa eventualmente ter errado no levantamento do sigilo, pelo menos considerando a questão da competência, a revisão de decisões judiciais pelas instâncias superiores faz parte do sistema judicial de erros e acertos", escreveu Moro.

Em outros trechos, o juiz defendeu sua atitude. Disse que o Judiciário não deve ser o "guardião de segredos sombrios dos governantes".

Moro escreveu ainda que havia outros áudios que não foram tornados públicos porque não eram relevantes para a investigação. "Fosse intenção deste juízo expor a privacidade do ex-presidente e de seus familiares, todos eles teriam sido divulgados, ou seja, centenas de diálogos adicionais, o que não foi feito."

O juiz disse que as gravações mostravam "tentativas de obstruir investigações" e a intenção do petista de atuar contra a apuração com "todo o seu poder político".
Lula foi indicado em 2016 ministro da Casa Civil de Dilma, mas acabou nunca assumindo o posto devido a uma liminar do Supremo Tribunal Federal.

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