Moro cita troca da PF em PE no radar e Paulo Câmara vê "ameaça"

Sérgio Moro apontou novas interferências no radar e citou troca na PF de Pernambuco

Sérgio Moro e o governador Paulo CâmaraSérgio Moro e o governador Paulo Câmara - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Ao anunciar sua demissão do Ministério da Justiça na manhã desta sexta-feira (24), o ex-juiz e, agora, ex-ministro do governo Bolsonaro, Sérgio Moro, afirmou, entre outras coisas, que, além da troca do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, outras estavam no radar, entre elas, uma troca no comando da Polícia Federal em Pernambuco.

"O problema maior e, nas conversas com presidente, e isso ele me disse expressamente, não é só a troca do diretor-geral, mas de superintendentes - novamente do Rio de Janeiro". E, aí, Moro completa dizendo que outros viriam em seguida e cita a troca do superintendente da Polícia Federal de Pernambuco no radar. A superintendente da Polícia Federal de Pernambuco é Carla Patrícia Cintra.

Ao comentar a saída do ministro em suas redes sociais, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, declarou que a ameaça preocupa: "A saída do Ministro Moro evidencia a instabilidade do Governo Federal, mas preocupa também por outra revelação contundente: a ameaça de ingerência política nas ações policiais".

Antes, Paulo Câmara assinalou: "O país precisa de instituições fortes, de soluções que só podem vir da construção democrática, conduzida por valores republicanos. Enfrentar uma pandemia já é desafio suficiente, demanda ação conjunta e integrada. A começar pelo governo nacional".

Ao iniciar a entrevista, o ministro da Justiça disse lamentar ter que realizar evento em meio à pandemia: "Mas não foi por minha opção!". E chegou a enaltecer a autonomia da PF, mantida pelos governos do PT para falar da Lava Jato: "O governo na época tinha inúmeros defeitos, crimes gigantescos de corrupção. Mas foi fundamental a manutenção da autonomia da Polícia Federal para que fosse possível realizar os trabalhos. A autonomia foi mantida".

Segundo o ministro, o presidente passou a "insistir" na troca de Maurício Valeixo do comando da PF. "Sem que me fosse apresentado uma razão uma causa", repisou. Disse ter sido "surpreendido" pela exoneração de Valeixo na madrugada e considerou "ofensivo", um sinal de que "o presidente me quer realmente fora do cargo".

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