Movimentos voltam às ruas

Cerca de 200 cidades do País terão atos contra o enfraquecimento da Operação Lava Jato

Ministro da Segurança Pública, Jugmann chamou de paranoia as insinuações de que a recém criada força-tarefa fosse instrumento de repressãoMinistro da Segurança Pública, Jugmann chamou de paranoia as insinuações de que a recém criada força-tarefa fosse instrumento de repressão - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Após um hiato de quase seis meses de calmaria, desde a intensa movimentação para derrubar a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), movimentos sociais, como o Vem Pra Rua, voltam às ruas das principais capitais do País, hoje. Na pauta da manifestação, o repúdio à recente aprovação do pacote anticorrupção na Câmara Federal que, segundo os representantes dos movimentos, vai na contramão do que almeja a sociedade e integrantes do poder Judiciário brasileiro, ao desfigurar a proposta inicial.

No Recife, o protesto acontecerá em frente à Padaria Boa Viagem, às 10h, com uma caminhada prevista ao longo da avenida Boa Viagem. Manifestantes também pretendem realizar o “enterro da vergonha”, mostrando os deputados pernambucanos que votaram favoráveis a medidas como a criminalização dos juízes, procuradores e promotores por abuso de autoridade.

Segundo a representante do Vem Pra Rua em Pernambuco, Maria Dulce Sampaio, a atual proposta de combate à corrupção aprovada no Congresso “deturpa” as dez medidas defendidas e aprovadas no seio das comissões temáticas. “Eu sei que existe abuso de autoridade, mas não inserido na lei anticorrupção. O que vai acontecer agora com essa proposta aprovada é que os juízes, ao invés de julgarem os corruptos, vão passar a se defender das acusações dos advogados”, exemplificou, ao se referir ao ponto que criminaliza as autoridades do Judiciário.

Apesar de o pacote ter sido aprovado pela ampla base de sustentação do governo Michel Temer, boa parte envolvida em escândalo de corrupção, a manifestante pondera que o momento não é de “Fora Temer”. O entendimento que se tem é que o País já passa por uma crise econômica e o momento impõe o apoio de reformas como a da previdência”, colocou.

Na avaliação do cientista político da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antônio Lucena, apesar de a manifestação ainda não ser contrária ao governo, as mobilizações poderão tomar outras proporções, ao ponto de aumentar ainda mais a crise vivenciada pelo presidente Temer e ameaçar sua sobreviência. “Temos agora delação do fim do mundo, com os depoimentos dos executivos da Odebrecht. Dependendo da quantidade de políticos envolvidos, a manifestação pode crescer. As pessoas poderão aderir ao Fora Temer”, diz Lucena.

Atos
Segundo o Movimento Vem Pra Rua, 205 cidades de todo o País confirmaram a realização de manifestações, hoje. Só no Estado de São Paulo, estão previstos 53 protestos, todos eles contra o enfraquecimento da Operação Lava Jato. Em segundo lugar está Minas Gerais, onde são organizadas 27 manifestações.

 

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