Na passagem por PE, Boulos troca ideia com Marília Arraes

Dos partidos da esquerda, só o PSOL não está na Frente Popular

Renata Bezerra de MeloRenata Bezerra de Melo - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Na noite de ontem, o coordenador do MTST, Guilherme Boulos, foi recebido pela deputada federal Marília Arraes na residência dela. Os dois têm relação próxima e também se encontraram da última vez que ele passou por Pernambuco. Em 2015, movimentações sugeriram que Marília poderia migrar para o PSOL. Com a retomada recente da aliança entre PSB e PT, uma travessia dela voltou a ser ventilada, mas pessoas próximas garantem que não há articulação nesse sentido em curso. Dos partidos da esquerda, o PSOL é o único que não está no arco de alianças da Frente Popular. Por esse motivo, parlamentares, nos bastidores, apostam que a sigla poderia ser uma alternativa para a petista, caso ela pretenda concorrer à Prefeitura do Recife em 2020. Na referida bolsa de apostas, pesa o fato de o PT já encontrar-se ocupando espaços na gestão Geraldo Julio, onde Oscar Barreto comanda a pasta de Saneamento, enquanto Odacy Amorim, no Governo do Estado, está à frente do IPA. Em 2018, impedida pelo PT de concorrer ao Palácio das Princesas, Marília chegou a declarar voto em Dani Portela, então candidata do PSOL.

Atualmente, elas atuam em torno de pautas ideológicas comuns e a tendência do PSOL é ter candidatura majoritária, mas ainda não há nomes colocados. Ontem, em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, Boulos ponderou que, do ponto de vista nacional, a “construção unitária” do PSOL com PSB “contra Reforma da Previdência, em torno da oposição ao Jair Bolsonaro e em defesa da soberania nacional e das liberdades democráticas” não implica em aproximação no Estado. Realçou que o PSOL tem “posicionamento muito crítico” e que “o pessoal não vai compor com esse governo, tem uma posição independente e autônoma no Estado”.

Só em Brasília
Guilherme Boulos diz que chegou a conversar, em Brasília, com Tadeu Alencar, líder do PSB, e que o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, conversou com o presidente do PSB, Carlos Siqueira, mas que a movimentação visou à construção de um bloco para a disputa pela presidência da Câmara, capaz de fortalecer a oposição ao governo Bolsonaro. “Esse era o ponto”, grifou Boulos.
Mérito x gesto > Boulos minimiza o movimento feito pelo governo na Alepe, que possibilitou às Juntas assumirem a Comissão de Cidadania e realça que elas assumiram porque tinham “legitimidade”, enquanto primeiro mandato coletivo.
Eleita > A deputada federal Marília Arres foi eleita para integrar a Procuradoria da Mulher - órgão integrante da Secretaria da Mulher da Câmara, que tem objetivo de zelar pela participação mais efetiva das deputadas nos órgãos e atividades da Casa.
Por elas > A lógica é ainda fiscalizar e acompanhar programas do Governo Federal, receber denúncias e cooperar com organismos nacionais e internacionais na promoção dos direitos da mulher. Entre as prioridades da petista está a criação de uma procuradoria da Mulher nos estados e municípios.
Sinal > Waldemar Borges foi líder dos governos Eduardo Campos e Paulo Câmara na Alepe, sendo voz eloquente na defesa das gestões socialistas. Em razão disso, deputados a estranharem ele ter subido, esta semana, à tribuna para fazer uma advertência em debate sobre o entrave das moradias de Fernando de Noronha.
Até tu! > “É preciso dialogar, e não é apenas falar com quem se concorda, mas também debater com quem é contrário, buscando o entendimento”, sugeriu Waldemar ao receber os moradores da Ilha que reclamavam do Governo. Nas coxias, alguns pares observaram o seguinte: “Se Wal vem tendo essa reação, fica claro que a relação entre o Governo e os deputados está deteriorada”.

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