"Não cabe nenhuma tutela na relação entre PT e PCdoB"

Do almoço com o governador, a presidenciável saiu com a ompreensão de que terá espaço em seu palanque

Manuela D’ÁvilaManuela D’Ávila - Foto: Divulgação

Ela deixou o Palácio das Princesas carregando, nas costas, uma mochila estampada com tema do filme de animação musical Frozen. Bem-humorada, riu quando percebeu que havia fotógrafos à sua espera. De lá, correu para a rádio CBN, onde adentrou no estúdio segurando uma mamadeira e pediu desculpas por precisar segurar a filha, Laura, no colo, onde a criança adormeceu silenciosa ao longo de toda a entrevista. Aos 36 anos, Manuela D’Ávila é candidata ao Planalto pelo PCdoB após “reflexão profunda” que a levou a encarar o desafio. “Meu único dilema para tomar a decisão foi o fato de a Laura ter dois anos e meio”, explica. Mas tem conseguido conciliar. E não titubeia sobre o projeto que abraçou, a despeito de ser o PCdoB um aliado de primeira hora do PT, que tem Lula no páreo. O lançamento de sua candidatura acarretou críticas de alguns petistas, a exemplo do senador Lindbergh Farias. Indagada se cabe tutela nessa relação entre PT e PCdoB, Manuela, em entrevista à coluna digital “No Cafezinho”, que está no ar no Blog da Folha e no YouTube da Folha de Pernambuco, devolve: “Não cabe nenhuma tutela, a não ser o fato de sermos partidos amigos que se relacionam”.

A presidenciável compara: “Somos o irmão mais velho nessa relação. Temos 97 anos. Fomos fundados em 1922. Então, nós apoiamos o PT e Lula e Dilma porque compreendíamos o papel deles naquele ciclo histórico. Só que o golpe, em 2016, encerrou um ciclo". Manuela brinca que a bancada comunista foi mais leal a Lula e Dilma Rousseff do que a própria bancada do PT. Em Pernambuco, ontem, cumpriu uma maratona de agendas, entre as quais o almoço com o governador Paulo Câmara. De lá, saiu com a compreensão de que o palanque dele será amplo. “Isso fará com que muitos dos candidatos à presidência sejam apoiadores do governador", observa e asinala: "Eu também compreendo que terei espaço no palanque. Pelo que entendi, é isso que ele também compreende”.

Sobre visibilidade

O PSB tem feito movimentos na direção do PT. Mas Manuela D'Ávila defende com ênfase que a presidente do PCdoB, Luciana Santos, esteja na majoritária do governador. Na avaliação de Manuela, Luciana enseja debate sobre a representatividade das mulheres na política.

Cara no sol > Diante da iniciativa de Guilherme Uchoa de ir a Paulo Câmara externar decepção com seu partido, o PDT, e com a formação da chapinha para Câmara Federal, nos bastidores, alguns deputados, ontem, sapecavam: “Uchoa me representa”. Houve quem observasse que vários “excluídos” estão “indignados”, mas só Uchoa “botou a cara”.

SOS > O deputado Silvio Costa Filho aprovou solicitação de audiência pública para discutir a situação dos enfermeiros da rede pública de saúde. Entre os temas que o deputado e a categoria esperam debater com o secretário Iran Costa estão: a mais baixa remuneração do País, não convocação dos aprovados em concurso de 2014 e as precárias condições de trabalho nas unidades do Estado.

Proporcional > A direção do PSDB-PE promoveu, ontem, a primeira reunião de 2018 da executiva. As eleições proporcionais estiveram no foco. O colegiado, presidido por Bruno Araújo, decidiu que continuará priorizando o fortalecimento das oposições em Pernambuco, considerando a viabilização de suas chapas.

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