"Não é normal que o presidente empurre goela abaixo uma retirada de direitos”, diz Renan Calheiros

Ele reforçou discurso crítico e, agora, ameaça combater reforma trabalhista no Senado Federal

Líder do PMDB diz que Temer quer retirar direitos dos trabalhadores, enfiando o PL “goela abaixo”Líder do PMDB diz que Temer quer retirar direitos dos trabalhadores, enfiando o PL “goela abaixo” - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Com a aprovação da reforma trabalhista na Câmara, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), reforçou seu discurso crítico às propostas do governo de Michel Temer, disse que o texto será alterado na Casa e afirmou, ainda, que o presidente quer empurrar “goela abaixo” dos trabalhadores uma “retirada de direitos”.

Renan disse, também, que o governo deveria se comunicar com os trabalhadores sobre a situação do emprego no país e sobre as alterações na legislação trabalhista, em especial às vésperas do 1º de Maio.

“O Brasil precisa falar aos seus trabalhadores, que vivem um momento de angústia e crueldade. Não é normal que o presidente da República deixe de falar e empurre goela abaixo dos trabalhadores uma retirada de direitos”, disse à reportagem o líder do PMDB.

Apesar de comandar a bancada do partido do presidente, Renan já havia manifestado posições duras contra a reforma da Previdência, considerada prioritária por Temer.

Agora, o senador passou a atacar a reforma trabalhista, que deve começar a ser discutida no Senado nas próximas semanas. Ele afirmou, ontem, que o texto aprovado na Câmara dos deputadosdeve sofrer modificações no Senado, o que deve atrasar sua tramitação no Congresso.

“Muita coisa vai ser alterada aqui no Senado, como esse desmonte dos sindicatos, no momento em que a negociação das categorias passa a prevalecer sobre a legislação. Parece contraditório”, criticou. “Desmontar a legislação trabalhista do dia para a noite é ruim, é injusto, sobretudo em plena recessão, com 13 milhões de desempregados.”

Acuado pela Lava Jato e com perspectivas de não se reeleger, o líder do PMDB no Senado tem feito discursos públicos contra as reformas econômicas. Declarou, por exemplo, que a mudança na Previdência proposta pelo Planalto “pune os trabalhadores e o Nordeste”.

“O governo errou ao fazer uma opção pela recessão, enquanto deveria estar preocupado com uma agenda de retomada do crescimento”, declarou.

Renan também tomou a tribuna do Senado no início da tarde da última quarta-feira, horas depois da aprovação da reforma trabalhista na Câmara, para criticar o projeto apresentado pelo governo.

“A reforma retira direitos e, se retira direito, é injusta. Ponto. Ela rebaixa os salários, é sua consequência mais imediata e perversa”, afirmou. “Todos sabemos que acordos forçados em plena recessão, com 13 milhões de desempregados e com o desemprego aumentando mês a mês, é pedir que se aceite a crueldade como caridade.”

“Meu dever como Senador, como representante de Alagoas nesta Casa, é alertar para o perigo que o país está correndo”, disse o senador. “A reforma trabalhista vai fatalmente aprofundar a desigualdade social.”

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