A-A+

Não haverá cálculo eleitoral que seja maior que responsabilidade, diz relator

A reforma enviada pelo governo ao Congresso prevê economia de R$ 1,236 trilhão em dez anos

[300] Samuel Moreira e Marcelo Ramos[300] Samuel Moreira e Marcelo Ramos - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os parlamentares não farão cálculo eleitoral que seja maior que a responsabilidade que têm como o sistema previdenciário, afirmou, nesta quinta-feira (8), o deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP), relator da proposta de mudanças da aposentadoria na comissão especial da Câmara dos Deputados.

"Não haverá cálculo eleitoral que seja maior que nossa responsabilidade, hoje, com o sistema de Previdência", afirmou Moreira durante a sessão, que conta com a participação do ministro Paulo Guedes (Economia) e de outros integrantes da equipe econômica do governo.

Moreira negou estar "a serviço" do governo. "A responsabilidade é nossa. Vamos servir ao Brasil, não ao governo. Me preocupa a questão dos estados. O déficit é de quase R$ 100 bilhões por ano", afirmou.

Leia também:
Guedes: reforma da Previdência combate privilégios e aumenta igualdade
Comissão da reforma da Previdência ouvirá na quarta-feira ministro da Economia


Na semana passada, durante a comemoração do Dia do Trabalho, o deputado Paulinho da Força (SD-SP) afirmou que os partidos do chamado centrão -entre eles PP, PR e PSD- discutiam a aprovação de uma reforma com impacto nas contas menor do que o pretendido pelo governo para evitar uma possível reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

A reforma enviada pelo governo ao Congresso prevê economia de R$ 1,236 trilhão em dez anos. O próprio Bolsonaro indica que o piso pode ser menor, em torno de R$ 800 bilhões. Mas deputados do centrão trabalham com uma poupança ainda inferior, na casa dos R$ 600 bilhões.

"[Uma economia de] R$ 800 bilhões, como ele [Bolsonaro] falou, garante de cara [a reeleição do presidente]. Nos últimos três anos de mandato ele teria R$ 240 bilhões para gastar, ou seja, garantiu a reeleição", afirmou.

Mais cedo, Guedes afirmou que a reforma busca retirar privilégios. Como exemplo, ele citou que um servidor do Legislativo se aposenta, em média, com R$ 28 mil por mês, enquanto a média de aposentadoria no setor privado é de R$ 1,4 mil.

"Isso não é razoável", disse o ministro, destacando o alto valor de quem faz parte do processo legislativo.

Coube ao secretário da Previdência, Rogério Marinho, apresentar aos deputados presentes a proposta divulgada pelo governo no final de abril.

Ele defendeu que as mudanças não são uma pauta do governo Bolsonaro e que, desde o tucano Fernando Henrique Cardoso, todos os outros presidentes alertaram, em algum momento, para a insustentabilidade do sistema previdenciário do país.

Veja também

FH defende frente ampla contra Bolsonaro, incluindo PT: 'Eu não discrimino'
ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

FH defende frente ampla contra Bolsonaro, incluindo PT: 'Eu não discrimino'

Senadores discutem na CPI: 'Vai pros quintos'; 'vai você e seu presidente (Bolsonaro)'
CPI da Covid

Senadores discutem na CPI: 'Vai pros quintos'; 'vai você e seu presidente (Bolsonaro)'