'Não tenho esperança', diz Dirceu Barros sobre prisão em 2ª instância
“Prescrição é a penalidade que o Estado sofre por não ter rapidez”
Nas palavras do procurador-geral do Ministério Público de Pernambuco, Francisco Dirceu Barros, ao tentar traduzir para uma linguagem mais clara, "prescrição é a penalidade que o Estado sofre por não ter rapidez". Ele ainda enfatiza: "Ou seja: o tempo apaga o crime". Promotor criminal há 20 anos e eleitoral há 17, Francisco Dirceu diz saber "o quanto é complicado uma mãe de família que perdeu o filho vir falar com promotor e eu ter que falar que a pena máxima vai ser dee 15 anos, 20 anos e depois ter que dizer que ele não vai passar 20 anos na cadeia, com dois quintos, seis anos, ele já vai estar na rua".
Dirceu aponta como grande problema o fato de o Congresso Nacional "só se movimentar com intensidade para aprovar leis quando tem alguma tragédia, fica uma coisa até emocional". O procurador admite ser difícil estar falando isso por ser chefe do MPPE. Mas defende que o cidadão precisa "selecionar melhor seus parlamentares e cobrar deles uma legislação mais eficaz". Dirceu tem dito que o debate sobre a prisão em segunda instância "só está aceso hoje" em virtude das condenações da Lava Jato, "porque todos eles vão recorrer". Mas, de antemão, sobre a possibilidade de o Congresso aprovar a prisão em segunda instância, vaticina: "Não tenho a mínima esperança. Pode anotar, logo, que não vai ser aprovado, não".

