Nas urnas, diferença de cinco votos em Riacho das Armas

Eleições de 2016 mostraram Riacho das Almas literalmente dividido entre as duas candidaturas

BandalelêBandalelê - Foto: Divulgação

 

Localizado a 131 km do Recife, no Agreste Central, o município de Riacho das Almas, com 21 mil habitantes, foi palco da eleição mais apertada do Estado. Apenas cinco votos garantiram a reeleição do prefeito Mário da Mota (PSB), que derrotou, mais uma vez, o grupo do ex-prefeito DioclécioRosendo (PSDB).

Em 65 anos de fundação, nunca se viu a sua população ficar dividida, literalmente, ao meio. Na apuração, um distrito fez a diferença: Pinhões, terra da família de Rosendo. 

Quando as urnas foram abertas, Dió Filho, candidato tucano da oposição, quase arrasta Mota para o infortúnio, tirando uma vantagem de mais de 300 votos.

Se tivesse conseguido seis votos a mais, teria derrotado o prefeito. Teoricamente, entretanto, quem ajudou o gestor a não sofrer um revés foi o empresário Alberes Gomes, do Solidariedade, candidato a prefeito pela chamada terceira via, que teve 353 votos, dos quais 48 contabilizados, justamente, em Pinhões, território que selou o destino das eleições no município. “Eu tirei mais votos de Dió do que, mesmo, de Mota”, afirma Gomes, que diz ter colocado sua candidatura como fator da verdadeira mudança.

Computados todos os 15.812 votos dos 18.821 eleitores que foram às urnas, Mota obteve 7.732 votos e Dió 7.727, correspondentes a 48,90% e 48,87% da totalidade, respectivamente. Em percentuais, os cinco votos de diferença representam 0,3%. “Se eu sofresse do coração teria tido um troço”, relata o prefeito, que esperava uma frente muito maior. “Nossas pesquisas internas nos davam uma vantagem de oito pontos, cerca de 600 votos, mas a compra de votos por parte dos nossos adversários foi gritante e vergonhosa”, disse.

Em relação às eleições de 2012, não há comparativo. Mota venceu por 770 votos, arrebatando a Prefeitura das mãos da família Rosendo, que reinou por 20 anos, implantando uma política coronelista, de apadrinhamentos e proteção familiar. Mota e Dioclécio se enfrentam no município em disputas equilibradas. Em 2008, o tucano levou a melhor, derrotando o socialista, que já havia vencido em 2004 por 73 votos, mas em 2012, Mota também ganhou.

Embora tenha governado o município por tanto tempo, com a chibata nas mãos, visto como um grande coronel, Diocleciano é acusado de forasteiro por Mota, pelo fato de não morar em Riacho das Almas, mas em Caruaru, on­de, como médico, controla uma clínica. Já o filho Dió, der­rotado por Mota, que já foi assessor do deputado estadual Antônio Moraes (PSDB), hoje mora em Belo Horizonte.

Mas Mota também é acusado de ter abandonado o município nos últimos anos, indo morar no Recife e, por isso mesmo, ter penado para emplacar a reeleição. “Ele só aparece em Riacho uma vez por semana”, revela o vereador José Hipólito (PSDB), um dos mais combativos parlamentares no município. Hipólito teve sua votação reduzida de 765 para 472 votos da eleição passada para esta por ter sido, segundo ele, perseguido pelo prefeito.

“Ele trabalhou para impedir minha reeleição, tudo porque mostro a verdade. Sua vitória de apenas cinco votos é resultado do seu altíssimo desgaste. Nada fez pelo município, sua única obra é um canal sonrisal, que desabou na primeira chuva”, alfineta. O vereador diz, ainda, que o prefeito inchou a Prefeitura com 500 servidores contratados, enquanto o município não sabe o que é concurso público há 16 anos.

“Riacho está cheia de obras inacabadas, tem sete postos de saúde da família fechados, duas construções de ginásios polivalentes cujas obras patinam há mais de dois anos”, afirmou.Tanto o prefeito quanto seus adversários falam em compra de voto para justificar o resultado apertado da eleição. “O coronel não gastou menos de R$ 2 milhões para tentar me derrotar a todo custo”, afirma Mota. “Ele é que torrou todo o dinheiro da Prefeitura comprando votos”, rebate o vereador José Hipólito, que falou em nome de Dió por este não morar na cidade.

 

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