Nem direita radical fica com Bolsonaro na demissão de Moro

Sergio moro anunciou a demissão na manhã desta sexta-feira (24)

Ex-ministro da Justiça, Sérgio MoroEx-ministro da Justiça, Sérgio Moro - Foto: Evaristo Sa / AFP

A direita radical, grupo que costuma ser fiel ao presidente Jair Bolsonaro no Twitter, se voltou contra o mandatário, devido à demissão do ministro Sergio Moro. Os três tuítes que mais circularam nesse grupo foram críticos a Bolsonaro e favoráveis ao ministro, considerando os primeiros 90 minutos após Moro confirmar sua saída, nesta sexta-feira (24). Foram 350 mil tuítes analisados.

A mensagem mais popular no grupo mais à direita na rede social foi da ex-jogadora da seleção brasileira de vôlei Ana Paula, uma expoente da direita atualmente. "Dia incrivelmente triste para quem torce pelo país. Não é só o governo que perde irremediavelmente hoje, é o Brasil. Sergio Moro é um gigante. Obrigada Moro. Este perfil sempre foi e sempre será #TeamMoro", escreveu Ana Paula.

A classificação dos usuários entre centro, direita e esquerda é feita pelo GPS Ideológico, ferramenta da Folha de S.Paulo que categorizou 1,7 milhão de perfis no Twitter, com interesse em política.

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Os usuários são distribuídos numa reta, do ponto mais à direita ao mais à esquerda, de acordo com quem eles seguem na rede social. Para a análise da saída de Moro, esses quase dois milhões de usuários foram divididos em seis grupos.

No grupo mais à direita, a segunda mensagem mais popular foi do economista e jornalista Rodrigo Constantino. "Moro é um gigante, um HERÓI nacional", tuitou.

A reação contrária ao governo se estendeu por todos os demais cinco espectros. Nesses cinco grupos, a mensagem mais popular foi da advogada Gabriela Prioli, comentarista do canal CNN Brasil.

"Moro falando do passado: 'governo da época tinha inúmeros defeitos, mas manteve a autonomia da Polícia Federal'", tuitou Gabriela. A reportagem analisou também a reação no Twitter na quinta-feira (23), horas depois de a Folha de S.Paulo revelar que Moro havia pedido demissão. As dez mensagens mais populares que circularam na direita falavam que a notícia era falsa, uma invenção da imprensa.

O tuíte mais popular era do apresentador Allan dos Santos, do canal de apoio ao presidente Terça Livre. "É FALSA a notícia de que @SF_Moro sairia do governo. Abraço!", escreveu.

A segunda mensagem mais popular era do deputado federal Carlos Jordy, que insinuava que a notícia visava desestabilizar a economia. Na esquerda, o tuíte que mais circulou naquele momento foi a notícia da Folha de S.Paulo falando sobre a demissão. Logo depois apareceram mensagens dizendo que, para a direita, Moro já estava virando comunista.

"Moro virando comunista para os bolsominions em 3, 2, 1...", tuitou Guilherme Boulos, candidato derrotado à Presidência pelo Psol em 2018.

Modus Operandi
A mudança brusca na linha de tuítes que circulam na direita também ocorreu nos últimos dias no cargo do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
Por semanas, as mensagens mais populares na direita diziam que reportagens que falavam sobre atritos entre Bolsonaro e Mandetta eram falsas.

Após entrevista do presidente à rádio Jovem Pan, em Bolsonaro disse que faltava humildade ao subordinado, a direita passou a atacar Mandetta, dizendo que ele estava ligado a um golpe em curso contra o presidente, liderado pelo DEM, partido do ex-ministro.

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