Netanyahu e Orbán estarão na posse de Bolsonaro

Bibi, como o primeiro-ministro é conhecido israelense, chega ao fim da manhã desta sexta (28) ao Rio. O premiê húngaro também confirmou presença

Primeiro-ministro de Israel Benjamin NetanyahuPrimeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu - Foto: Oded Balilty/Pool/AFP

Após estudar a possibilidade de encurtar sua visita ao Brasil, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, decidiu manter o cronograma original e ir à posse de Jair Bolsonaro, no dia 1º de janeiro.

O premiê embarca nesta quinta-feira (27) para o Rio de Janeiro e no dia 28 se encontra com o presidente eleito e futuros ministros. Netanyahu se reunirá com membros da comunidade judaica e deve participar de uma cerimônia de Shabat (sábado judaico) em uma sinagoga, além de visitar o Cristo.

No domingo (30), a agenda prevê viagem a Brasília, onde participará da posse.
A reportagem apurou ainda que o controverso premiê da Hungria, o ultranacionalista Viktor Orbán, também confirmou presença e será um dos 12 chefes de Estado e governo que assistirão aos eventos, cuja audiência costuma ser reduzida pela data desfavorável.

A decisão de Netanyahu, o nome de maior peso a comparecer à posse, foi tomada após a dissolução do Knesset, o Parlamento israelense, nesta quarta (26) e da confirmação das eleições em 9 de abril.

Netanyahu chegou a pensar seriamente em encurtar a viagem, a primeira ao Brasil de um premiê israelense em exercício, e voltar a Israel no dia 30. Até quarta, no entanto, não havia confirmação oficial. "Está sendo examinada a possibilidade de encurtar a visita por causa da situação política", disseram à reportagem fontes no gabinete do primeiro-ministro em alusão à eleição.

Bibi, como é conhecido, colocou sua agenda em suspenso extraoficialmente -exceto o encontro com Bolsonaro, na própria sexta- por causa da crise política em seu país.

Ele teve de convocar eleições antecipadas para rearranjar as forças de sua coalizão, que ruiu, embora ele continue o favorito para vencer em abril.

Na terça (25), a organização da visita recebeu ordens de Israel para que Bibi voltasse já no domingo, devido à incerteza sobre o voto pela antecipação das eleições. A costura foi feita, e a medida passou por 102 votos a 0 nesta quarta, abrindo a possibilidade para a permanência.

Ela ainda pode ser alterada -até porque o vaivém em si não foi objeto de comunicados formais por parte de Israel.

Além do encontro com Bolsonaro e da posse, Bibi deve se reunir com os novos ministros da Defesa, general Fernando Azevedo Silva, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

A organização da posse cita questões de segurança para não divulgar a lista completa de convidados confirmados.

Até agora, constam os nomes de líderes sul-americanos como Sebastián Piñera (Chile), Iván Duque (Colômbia) e Mario Abdo (Paraguai), que devem formar o novo círculo do Brasil na região, mais à direita.

O argentino Maurício Macri, inicialmente desdenhado pelo novo governo e pelo futuro ministro Paulo Guedes (Economia), trocou a posse por uma visita ainda em janeiro.

O uruguaio Tabaré Vázquez e o peruano Martín Vizcarra completam a lista regional.
Estava em aberto a vinda do boliviano Evo Morales -único governante de esquerda a não ser desconvidado pelo futuro governo, que excluiu os ditadores de Venezuela e Nicarágua e o dirigente de Cuba, embora tenha mantido outros autocratas na lista.

Um deles é Orbán, no poder desde 2010 e sob pressão da União Europeia por suas medidas anti-imigração e que enfrenta protestos nas ruas.

Da Europa também virá o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Souza, cujo filho vive no Brasil -mas não o premiê, António Costa. Da Itália virá o ministro da Agricultura, Gianmarco Centinaio, apesar da simpatia do ministro do Interior e número dois do governo, Matteo Salvini, pelo eleito.

Países da Europa Ocidental têm rejeitado associar-se a Bolsonaro, que provoca polêmica ao desprezar acordos apoiados por eles como o de Paris sobre o clima e a iniciativa da ONU pelas migrações.

Há ainda quatro presidentes, vice-presidentes e chanceleres da África cujos nomes a organização não divulgou.

Os Estados Unidos, de Donald Trump, enviarão o secretário de Estado, Mike Pompeo. Segundo o Itamaraty, confirmaram presença ainda três vice-presidentes, 14 enviados especiais e três diretores de organismos internacionais.

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