Nova correlação de forças partidárias

Novo e PSL foram os que mais cresceram. Apesar da derrota presidencial, PT manteve a força, enquanto MDB e PSDB perderam estrutura

Chama Eterna da Democracia voltou a integrar a paisagem da Praça dos Três Poderes, em BrasíliaChama Eterna da Democracia voltou a integrar a paisagem da Praça dos Três Poderes, em Brasília - Foto: José Cruz/Arquivo Agência Brasil

As eleições de 2018 apresentaram uma nova correlação de forças partidárias no Brasil. Todos os tradicionais partidos diminuíram de tamanho em termos de representatividade e dois novos se fortaleceram. O PT, apesar de diminuir a quantidade de parlamentares no Congresso Nacional e perder a eleição presidencial, saiu das urnas como maior partido em termos de representação do Brasil, com 56 deputados, seis senadores e quatro governadores. Com isso, a legenda pretende liderar a oposição. PSL, partido do presidente eleito Jair Bolsonaro, e Novo surpreenderam. Já PSDB e MDB saíram menores do que entraram.

Apesar dos resultados das urnas, as costuras estão sendo feitas e a configuração parlamentar deve sofrer alterações por causa da cláusula de barreira, que enquadrou 14 dos 35 partidos, como PCdoB, Rede, PMB e PRTB. Para garantir o fundo partidário e tempo de propaganda na televisão e no rádio, os partidos precisavam alcançar 1,5% dos votos para a Câmara, distribuídos em nove estados e com mínimo de 1% dos votos em cada um deles, ou, então, eleger ao menos nove deputados em nove estados.

Alguns destes partidos, inclusive, estudam fusões, como PCdoB com o PPL e a Rede com o PV. Parlamentares de algumas legendas devem migrar para outras, o que pode fazer as bancadas mudarem de tamanhos. É nisso que aposta o PSL, segunda maior bancada, para superar os petistas na Câmara. Surfando na “onda Bolsonaro”, o partido, que fez um deputado em 2014, elegeu 52 deputados, quatro senadores e três governadores. Antes não possuía representantes. O Novo foi outra surpresa: elegeu oito deputados federais e um governador, o Romeu Zema, em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País.

O PDT, sigla de Ciro Gomes, cresceu de tamanho: passou de 19 para 28 deputados, de dois para quatro senadores e reelegeu um governador, Waldez Góes, no Amapá. O partido deve disputar com o PT o protagonismo da oposição ao Governo Bolsonaro e já lançou Ciro a presidente em 2022.

MDB e PSDB ficaram mais fracos. O partido do atual presidente Michel Temer passou de segunda maior bancada da Câmara em 2014 (66 deputados) para a quarta, com 34 eleitos em 2018. No Senado, de 14 representantes para 12. O partido também diminuiu o número de governadores - de sete para três: Renan Filho, em Alagoas, de Helder Barbalho, no Pará, e de Ibaneis Rocha, no Distrito Federal.

Já os tucanos, que já foram a terceira maior bancada em 2014 (54 deputados) caiu para nona, com 34 deputados. Já na Casa Alta a sigla passou de quatro para nove senadores e elegeu três gestores estaduais - Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, Reinaldo Azambuja, no Mato Grosso do Sul, e João Doria, em São Paulo, maior colégio eleitoral do País. Segundo a análise da Arko Advice, Doria desponta como o tucano de maior expressão, o que deve levar a sigla a redefinir sua posição no tabuleiro político.

A cientista política Priscila Lapa, da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (Facho), avalia que MDB e PSDB foram os maiores derrotados desta eleição e, ao contrário de outro momentos, deixarão de ditar os rumos, enquanto o PT, mesmo perdendo a eleição presidencial, saiu fortalecido, assim como PSL e Novo. “(O PSL) era nanico e sai com bancada gigante, mas não tem cara uniforme e não é orgânico. Agora, pode começar a construir uma agenda”, diz ela. “Já o Novo vem numa lacuna de ideia de políticos menos políticos e mais gestores. O partido não cresceu mais por causa da ‘onda Bolsonaro’”, acrescenta. 

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