O imponderável atinge a Lava jato

Os acordos de delação seriam homologados em fevereiro

O ano passado terminou com alguns políticos vaticinando que 2017 daria saudade de 2016. Boa parte deles fazia tal análise, em perspectiva, de olho nos próximos passos da Lava Jato, nas delações da Odebrecht e na possibilidade de o ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, também delatar. E mal 2017 começou, deu-se o imponderável envolvendo, exatamente, a Lava Jato. Foi às vésperas da homologação da delação premiada dos 77 executivos da Odebrecht. O ministro relator da Lava Jato, Teori Zavascki, estava mesmo a bordo do avião que caiu no mar de Paraty, no Rio de Janeiro. O filho dele confirmou a informação, quando muitos ainda resistiam e se negavam a acreditar. O ministro interrompera as férias para analisar a delação dos executivos da Odebrecht e já havia determinado o início das audiências com os depoentes. Não se trata de um processo comum, mas daquele que vem pautando as discussões no País, numa espécie de divisor de águas, o qual levou empresários e políticos à prisão. Independente de haver redistribuição do processo no STF, quem assumir o caso, daqui para frente, precisará, naturalmente, de um tempo de aclimatação. Ainda que não, necessariamente, haja descontinuidade grave ou paralisia da Lava Jato, algum atraso já é visto como consequência primeira da tragédia de ontem. O revés para a Lava Jato veio em momento de expectativa em torno daquela que ficou conhecida como "delação do fim do mundo" antes mesmo que ela fosse homologada. A conferir.

Relação próxima
Durante quatro anos, o deputado federal Tadeu Alencar, enquanto procurador da Fazenda Nacional, atuou na mesma turma de Teori Zavascki no Superior Tribunal de Justiça. Quando Teori foi tomar posse no STF, enviou um convite a Tadeu, que marcou presença.

Sem entrevista > As posturas de investigadores da Lava Jato já renderam muita polêmica. Sobre Teori, Tadeu tem o seguinte depoimento: "Ele não era só um magistrado, era exemplo de magistrado. Ele se pronunciava no processo. Um juiz deve ter essa atitude, de falar, às vezes, com força, mas no processo. É como um magistrado deve se portar".

Notícia > Tadeu e Teori chegaram a ser palestrantes juntos em Gramado. Ao promover congresso de procuradores, Tadeu o convidada. Teori comparecia. Ontem, foi Tadeu quem avisou a Paulo Câmara do acidente.

A prosperar > O deputado federal Jarbas Vasconcelos vê espaço para "prosperar a teoria da conspiração". Ele faz, à coluna, a seguinte reflexão: "Eu não descarto. Isso acontece, às vezes, no mundo. Por que não pode acontecer no Brasil? Eu não descataria essa hipótese. Mesmo remota".

Custa nada > Jarbas prossegue: "Tenho uma coisa comigo que a gente sempre tem que levar em consideração que, desgraçadamente, a gente vive em um mundo cão. Não é o Brasil, é o mundo. Então, dentro de um mundo cão, tudo é possível. O que custa apurar isso? Nada. Agora é uma coisa lamentável, uma desgraça. Se tem uma desgraça, é isso aí".

Missão > Ainda ontem, o presidente Michel Temer informara, a interlocutores, que pretendia indicar imediatamente, o sucessor do ministro Teori. Jarbas observa: " Pelo que eu conheço dele (Temer), ele vai fazer uma coisa cuidadosa".

Cadê? > Durante a posse dos secretários, ontem, o governador Paulo Câmara cumprimentou, em seu discurso, o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Thiago Norões. Fez isso numa espécie de gesto. Norões não compareceu à solenidade no Palácio das Princesas. Alguns presentes ficaram procurando, jurando que Norões estava lá.

Telefonema > Ontem pela manhã, Thiago Norões telefonou para o vice-governador e atual secretário de Desenvolvimento do Estado, Raul Henry, informando que não poderia comparecer porque já tinha uma agenda naquele horário.

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