O novo perfil da Câmara Municipal do Recife

Mais da metade dos vereadores eleitos possui até 45 anos. Outros 11 têm menos de 36.

Prefeito em encontro com secretários municipaisPrefeito em encontro com secretários municipais - Foto: Divulgação

Com o resultado das eleições proporcionais 2016, os recifenses contarão com legisladores mais jovens, que defendem bandeiras diversificadas, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE). Os vereadores eleitos e os reeleitos no último domingo, formarão o perfil da nova Câmara do Recife para o quadriênio (2017-2020), alcançando um índice de renovação de 43,59%, quando comparado com à composição de 2012. Ao todo, são 16 novatos eleitos e 14 deles estarão pela primeira vez exercendo o mandato.
A recente distribuição de cadeiras representa um rejuvenescimento na Casa José Mariano. Dos que ocuparão as 39 vagas disponíveis, mais da metade têm até 45 anos. Entre esses, nove possuem entre 36 e 45 anos e 11 são ainda mais jovens, correspondendo à faixa dos 18 até os 35. De acordo com o cientista político Antônio Lucena, da Universidade Federal Fluminense (UFF), os números, efetivamente, podem mostrar uma eminente mudança de postura do eleitorado. Isso porque, segundo ele, a quantidade de ‘jovens eleitos’ está também associada ao desejo de renovação da política de grande parte da população. “Estes podem ser os novos políticos que surgem dessa crise de representatividade que estamos vivendo, esse tipo de elemento é importante”, afirmou.

Para o especialista, algumas das lideranças que “já estão há muito tempo no poder”, eventualmente, entram em um processo de desgaste e, num movimento orgânico, são substituídas. “Natural que as pessoas queiram uma renovação. Na própria Câmara você teve uma quantidade de renovação alta. Em certa medida, isso explica a ascensão dessas novas pessoas”, explicou. Quanto à questão da representatividade, de forma geral, a Câmara ainda peca pela falta de representação feminina. Apesar de o Recife ter mais de 600 mil eleitoras, o número de vereadoras eleitas é significativamente inferior ao dos homens. Elas ocupam apenas 15,4% das vagas, o mesmo valor alcançado no pleito municipal de 2012.

Em outras áreas, porém, a Câmara ganhou reforço. Na Educação, o Legislativo municipal contará com, pelo menos, quatro representantes. No campo da Saúde, são dois os legisladores ligados à causa. O mesmo número que possuem os segmentos da causa animal, de minorias e sindical. Lucena acredita que a diversificação das bandeiras é o resultado de uma tentativa de vários segmentos de elegerem os seus representantes. “As pessoas tendem a votar naqueles que buscam atender os seus interesses, por isso que eles conseguem ter uma votação expressiva”, declarou.

O cientista acredita que, a partir de agora, e pelos próximos quatro anos, a tendência é que “essas pautas sejam apresentadas dentro da Câmara. Assim como foi a relação de táxi e Uber, outros segmentos também tentam ser representados dentro desse processo político. É um movimento natural da sociedade”. “As pessoas buscam votar nos indivíduos que lhe dão maior representativa e respondem aos seus anseios, suas vontades e necessidades”, completou.

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