O Planalto e o rodízio de acontecimentos
Ao cogitar o retorno da ditadura militar, Eduardo Bolsonaro tirou o foco até de polêmicas anteriores
As declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), que sugeriu a implantação de um novo AI-5 para conter “a radicalização da esquerda”, logo se transformaram no principal assunto nas redes sociais, nos principais veículos de comunicação e na sociedade brasileira em poucas horas. Após ser desautorizado pelo pai, o presidente Jair Bolsonaro, o parlamentar voltou atrás e afirmou que "não existe qualquer possibilidade de retorno do AI-5". Mas a polêmica já estava instaurada, inclusive com forte reação dos segmentos político e jurídico.
A velocidade de repercussão dessa nova polêmica chegou a ofuscar outra, sobre a reportagem do Jornal Nacional nessa semana, acerca do depoimento do porteiro do condomínio no Rio de Janeiro, que reacendeu as notícias sobre o Caso Marielle. Ao cogitar, inicialmente, a possibilidade do retorno da ditadura militar, pelo menos em sua fala, Eduardo Bolsonaro tirou o foco até mesmo do desgaste ocorrido na sua ventilada e frustrada indicação para embaixada do Brasil nos Estados Unidos. E neste rodízio de acontecimentos também foi sobreposto o vídeo divulgado pelas redes sociais do presidente, que mostra uma fábula onde Jair Bolsonaro é um leão cercado por hienas inimigas, como seriam, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal. Aliás, esta última polêmica provocou uma reação do ministro do STF, Celso de Mello, que apontou “atrevimento presidencial parece não encontrar limites na compostura que um Chefe de Estado”. Segundo o ministro, Bolsonaro não é ‘um monarca presidencial’. O mesmo acontece com ministros, líderes governistas e outros personagens ligados ao Governo Federal. A tropa se reveza na defesa e criação de polêmicas no dia a dia. A conferir.

