Oferta de trabalho, aplauso de servidores e 'luto coletivo': bastidores da despedida de Nísia
Alexandre Padilha toma posse dia 6 e deve manter parte da equipe
De saída do Ministério da Saúde, a ministra Nísia Trindade recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a proposta de ocupar outro posto no governo. Ela, contudo, respondeu que irá tirar férias e ainda não decidiu seu destino.
Conforme o Globo apurou, durante a conversa de ontem, que selou a substituição da ministra por Alexandre Padilha (ministro de Relações Institucionais), Lula questionou o que ela gostaria de fazer e se dispôs a acomodá-la em algum cargo de sua preferência. Ela disse que pensaria sobre a oportunidade, e que primeiro tiraria um tempo para si.
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À ministra, Lula justificou que a troca é necessária para melhorar a comunicação do governo e fortalecer a relação com o Congresso Nacional. Nos primeiros dois anos de gestão, Trindade foi alvo de críticas do Congresso acerca do pagamento de emendas parlamentares pela pasta.
Segundo a Presidência, Padilha toma posse como ministro da Saúde no próximo dia 6. Até lá, as equipes de Trindade e Padilha farão um processo de transição. Nesta quarta-feira, a ministra fez uma reunião com seus secretários na sede da pasta. Lá, agradeceu pelo tempo de trabalho e foi aplaudida de pé pelos funcionários.
A ministra informou que o presidente fez um pedido a Padilha para manter parte da equipe e não ter mudanças que impacte no andamento das ações. A expectativa é que o ministro da SRI mantenha ao menos três nomes próximos a ele: Ana Estela Haddad (secretária de Saúde Digital), Adriano Massuda (Atenção Especializada) e Felipe Proenço (Atenção Primária). Trindade disse que quem for convidado a ficar terá o apoio dela.
A equipe de Nísia, que descobriu sobre a demissão pela imprensa, não esconde a frustração sobre a falta de informações do Planalto sobre a continuidade no ministério nas últimas semanas. Pessoas da equipe definem o momento como um "luto coletivo".

