Qua, 10 de Junho

Logo Folha de Pernambuco
FILME

Operação que mirou produtora de "Dark Horse" gera incômodo nos bastidores da prefeitura de SP

Prefeito evitou fazer críticas diretas, mas sugeriu eventual teor político na ação da Polícia Civil; nos bastidores, aliados falam em 'fogo amigo'

Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas em reunião no Palácio dos BandeirantesRicardo Nunes e Tarcísio de Freitas em reunião no Palácio dos Bandeirantes - Foto: Governo do Estado de São Paulo/divulgação

A operação deflagrada nesta segunda-feira (1º), que mirou o contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e a uma ONG da mesma dona da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, causou incômodo na gestão Ricardo Nunes (MDB) e críticas, nos bastidores, à atuação da Polícia Civil de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Aliados do prefeito afirmam que a busca e apreensão na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia teria sido “desnecessária e midiática”, porque o contrato com o Instituto Conhecer Brasil (IBT) e as respectivas prestações de contas da entidade já eram públicos.

O instituto, que tem Karina Ferreira da Gama como dona, a mesma da produtora Go Up Entertainment — responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro (PL), tem um contrato de R$ 108 milhões com a pasta para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi em vias públicas da periferia paulistana.

Segundo pessoas próximas a Nunes, a situação pegou o prefeito de surpresa, principalmente por ter vindo da polícia estadual. Ao se manifestar sobre o caso, o prefeito chegou a sugerir uma eventual conotação política na ação e ele questionou “por que só agora essa questão?”.

 

O Globo apurou que a operação não passou pela cúpula da Secretaria da Segurança Pública, e foi avançando fora dos holofotes. Uma ala da Polícia Civil está insatisfeita com a gestão Tarcísio. O governador evitou comentar o tema e aliados apontam que a polícia “tem independência”, e que portanto não caberia a Tarcísio ser informado sobre a operação antecipadamente.

O caso começou quando o Ministério Público Federal (MPF) recebeu, em dezembro de 2025, uma denúncia relatando suspeitas de irregularidades no contrato do ICB com a Prefeitura de São Paulo. Como se tratava de um caso relativo à administração municipal, o MPF repassou a notícia de fato para o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que então pediu a abertura de um inquérito policial em março, aberto pela 2ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração e Fraudes (Discca), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

A investigação passou a ser tocada pelo delegado Antonio Carlos Munuera Silveira, titular da delegacia, que solicitou ao Judiciário a autorização para a operação desta segunda.

Veja também

Newsletter