Oportunidade de sanear divisões internas

Posse de Raul Henry e de Bruno Lisboa será realizada hoje, às 16h, no Salão das Bandeiras

Em termos de tempo de televisão, o PMDB é um partido que vale muito. Na aliança do governador Paulo Câmara, hoje, é o que vale mais. Considerando que Jarbas Vasconcelos e Raul Henry são dois nomes respeitados e capazes de agregar credibilidade ao governo, o novo papel e dimensão que o governador atribuiu aos peemedebistas é também um movimento no sentido de segurar os dois no seu time, sobretudo em um tempo em que outras lideranças, que já figuraram no mesmo campo, trabalham projetos majoritários para 2018. O nome de Bruno Araújo, por exemplo, vem ganhando tônus e o trânsito dele com Jarbas e Henry é, inclusive, bom. Além do PMDB, na conta dos seis maiores partidos que seguem na mesma frente e podem emprestar tempo de TV ao PSB, aparecem: o PP, o PSD, o PR e o PDT. Se pesa, hoje, uma ciumeira de socialistas em relação ao PMDB, o mesmo ocorre, nos bastidores, quando o assunto são outras legendas. Nas coxias, socialistas argumentam, por exemplo, que o espaço do PSD deveria ser repensado. Dizem que a pasta estaria funcionando como uma “ilha” no governo, apontam força demais acumulada pelos aliados pessedistas. No caso do PDT, lideranças da legenda se sentem preteridas já faz algum tempo e, nas mudanças atuais, até vislumbraram receber algum “afago”, o que, até agora, não se consolidou. O PP, por sua vez, se vê maior que outras legendas, a exemplo do PR, as quais progressistas consideram melhores contempladas. E, nesse cabo de guerra todo, alguns integrantes do PSB arriscam jogar contra o gesto de Paulo com o PMDB. Em reserva, algumas fontes socialistas mostram-se contra a ideia de dividir o território. Se perdem o apoio dessas legendas, socialistas estarão minando o próprio projeto. No lugar de olharem para o “quintal” das outras siglas, membros do PSB devem começar a se concentrar em sanear as divisões internas para não chegar no ponto de uma autofagia.

Com abertura
Presidente estadual do PSD, André de Paula, instado a posicionar-se sobre a postura de oposição do deputado estadual Álvaro Porto, adota um tom ponderado. “O partido é da base. Os três deputados têm posições claramente de deputados da base. Eu fiz parte do governo até ontem. O PSD participa do governo. Se o deputado estiver desconfortável no partido, ele tem abertura para conversar”.

Desde o começo > Já Álvaro Porto, perguntado pela coluna se tem pretensões de deixar a sigla, diz não pensar nisso para agora. Mas crava que exerce, hoje, oposição ao governo. “No ato de filiação, em Canhotinho, o governador estava persente. Nas minhas palavras, eu disse lá qual seria minha posição, que era uma questão de independência”, recorda o parlamentar.

Avanço > Porto, no entanto, sublinha: “Mas, hoje, eu faço oposição ao governo. Não tenho a menor condição de defender esse governo”. Sobre a possibilidade de deixar o PSD, avisa: “Se, no último prazo de filiação, eu ver que o partido vai ficar na base do governador, eu sigo outro caminho. Por enquanto, não estou com pensamento de sair ainda não”.

Flores... > O deputado federal Jarbas Vasconcelos minimiza a ciumeira que o novo tamanho do PMDB tem gerado. Atribui isso às flores do recesso. “O partido ficou muito em evidência. O recesso também ajuda né?! Foge da rotina e vira notícia”.

...do recesso > “Eu vinha dizendo que o PMDB tinha crescido. A gente disputou muitas eleições. Fizemos uns 18 prefeitos. Isso causa desconfiança. Não era para ser assim, mas, infelizmente, é. Ainda mais nessa época, quando as casas legislativas não voltaram a funcionar”, reflete Jarbas.

Périplo > Além de requisitar audiência a Moreira Franco, Raul Henry já marcou com os ministros Bruno Araújo, Maurício Quintella, Osmar Terra, Raul Jungamann e está agendando com Mendonça Filho.

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