Organizador de ida de deputados à China diz que processará Olavo de Carvalho

Segundo Vinícius Carvalho, há desconhecimento da parte de quem critica a iniciativa

Olavo de CarvalhoOlavo de Carvalho - Foto: Divulgação

O chefe da excursão de deputados do PSL à China se revoltou: Vinicius Carvalho Aquino, 27, diz que vai processar o escritor Olavo de Carvalho (que se referiu aos membros da comitiva como semianalfabetos) e que há desconhecimento da parte de quem critica a iniciativa.

"O Olavo de Carvalho fez um vídeo infeliz dizendo um monte de asneira. Eu tinha muito respeito por ele, até me chamar de analfabeto", diz o advogado sobre a gravação divulgada pelo escritor e já rebatida por congressistas que estão no giro pelo país asiático.

Assessor do deputado federal eleito pelo PSL-SP Alexandre Frota (que só não viajou "porque a esposa dele está grávida de nove meses"), Aquino tem um currículo eclético, de ativista pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT) a dono oficial da marca do Pixuleco (o boneco que representa o ex-presidente Lula como presidiário) e proprietário do nome MBL (Movimento Brasil Livre), o que lhe rendeu uma briga judicial com Kim Kataguiri e companhia.

A informação de que Aquino é o idealizador da viagem foi divulgada nesta sexta-feira (18) pelo Painel, da Folha de S.Paulo.
  
Irritado com o que chama de "julgamento precipitado" e "ataque desnecessário e sem pé nem cabeça aos parlamentares", ele afirma que vai entrar na Justiça contra todos que estão o difamando e ameaçando. Inclui na lista a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), que alfinetou os colegas que viajaram, "e qualquer cidadão, seja político eleito ou não, estadual ou federal".

"Estou fazendo uma coletânea e vou processar todos", continua ele, que afirma sobreviver do trabalho como consultor jurídico. "Estou muito assustado com esse desconhecimento das pessoas e com os oportunistas", disse à reportagem, por telefone, de Pequim.

De acordo com o ativista, outros membros da comitiva tomarão medidas judiciais por se sentirem vítimas de calúnias.

A fúria de Aquino se volta também contra as afirmações de que a ida do grupo à empresa chinesa Huawei atenderia a interesses particulares seus. "Não tem nada disso. É apenas uma das empresas do roteiro. Não tenho envolvimento em nenhum projeto de reconhecimento facial", diz ele sobre a tecnologia que justificaria, segundo Carvalho, a visita à fábrica.

"E outra: já existe isso no Brasil e é usado no mundo todo. Não precisa de autorização do Congresso [para instalar], não precisa que nenhum deputado dê aval", segue o assessor de Frota. Em seu vídeo, o escritor e ideólogo do atual governo falou que o usar a ferramenta de identificação seria "entregar ao governo chinês" informações sobre os brasileiros.

"É uma polêmica desnecessária. A Huawei não é a única a trabalhar com reconhecimento facial", completa Aquino.

Outras questões que o coordenador da turnê quer esclarecer: 1) ele diz que a viagem não é "do PSL" (há um parlamentar eleito pelo DEM-DF, Luis Miranda), mas que o partido do presidente Jair Bolsonaro tinha ciência da visita; 2) afirma também que foi ele quem escolheu os convidados ("Trouxe pessoas que eu gosto e que precisavam conhecer a China"); e 3) não, ele não é comunista.

"O pessoal começou a falar que eu sou de esquerda! Se eu sou, ninguém me avisou. Logo eu, o dono do MBL e do Pixuleco."

O ativista, que já pedalou vestindo uma fantasia inflável do personagem para entregar uma pizza a Dilma enquanto ela andava de bicicleta em Brasília em 2016, diz que seu objetivo ao organizar a controversa viagem foi o mesmo pelo qual fez o Pixuleco: "Pensando no bem do meu país".

"A China se tornou a grande potência mundial. E eles estão doidos para fazer mais comércio com o Brasil. Fui até a embaixada e solicitei a ida de algumas pessoas que precisavam entender o que era a China para melhorar o nosso comércio com eles", afirma.

Ele desfia números sobre as relações econômicas dos dois países e fala que se aproximou da diplomacia chinesa no Brasil por intermédio de amigos. A embaixada do país, segundo Aquino, banca todos os custos da turnê. Conheceu o país asiático no ano passado e ficou impressionado.

"Para ser sincero, hoje a China não é nem mais comunista. Aqui não é o comunismo da Venezuela, da Bolívia. Tem controle do governo? Tem. Assim como no Brasil tem controle para tudo. O que a China tem na bandeira é uma coisa de nomenclatura, porque aqui existe mais liberalismo que no Brasil."

Com o raciocínio, Aquino busca refutar a visão de que a viagem possui cunho ideológico. "Hoje, deixar de fazer comércio com a China é uma extrema burrice." O país, de acordo com ele, não está nem aí para a ideologia do Brasil e "quer só negociar", assim como faz com o mundo todo.

"O pessoal está colocando uma coisa como se fosse algo planejado por uma conspiração. E aí outras pessoas saem pegando as coisas como verdade e vão a público comentar. O que me assusta é que não sabem o que é e julgam sem saber", diz.

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