Os repasses aos pernambucanos

O responsável pelo setor de propinas da Odebrecht, Benedicto Junior, confirmou pagamentos a sete políticos do Estado

Benedicto Junior recebia as informações sobre os valores e providenciava os pagamentosBenedicto Junior recebia as informações sobre os valores e providenciava os pagamentos - Foto: João Alvarez/FIEB

Em meio a diversos nomes de políticos de todo o País, o ex-diretor do setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, Benedicto Junior, confirmou, em delação premiada, o pagamento de valores a sete políticos pernambucanos, dois deles já falecidos. A área chefiada por Benedicto ficou conhecida como o departamento de propina da empreiteira. Estes nomes estariam sob a área de responsabilidade do ex-diretor da Odebrecht no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, João Pacífico.

Na lista estão o ex-governador Eduardo Campos (PSB), que recebeu sob o codinome “Neto”, entre 2008 e 2012, a soma de aproximadamente R$ 11 milhões; o deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB), o “Viagra”, que recebeu R$ 700 mil em 2010; o ex-senador Sergio Guerra (PSDB), o “Chorão”, que recebeu R$ 1,060 milhão entre 2010 e 2012; o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), o “Jujuba”, que recebeu R$ 300 mil; o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB), o “Novilho”, que recebeu R$ 200 mil em 2010; o ex-deputado federal José Chaves (PTB), o “Chaveiro”, que recebeu R$ 100 mil em 2010, e o ex-deputado federal Paulo Rubem (PSOL), o “Bronca”, que recebeu R$ 76 mil. Campos e Guerra faleceram em 2014.
Benedicto afirmou que recebia as informações e valores dos diretores em relação às suas respectivas áreas e repassava para a diretoria. “Dentro da nossa sistemática de doações eleitoras por meio de caixa dois, veio ao meu conhecimento uma lista para doar.

Consolidei o que eles trouxeram e levei para outros diretores para eles tomarem ciência e fazer as doações”, declarou.

Pacífico
Em depoimento, Pacífico disse não ter qualquer relação com Rubem, mas que o à época candidato o procurou no escritório da construtora no Recife e ele decidiu colaborar, sem contrapartida. “Eu resolvi colaborar com o intuito de que se houvesse algum problema, que ele se lembrasse que eu havia contribuído para a campanha dele”, disse.

O ex-diretor, contudo, possuía boa relação com Bruno Araújo e José Chaves. Pacífico disse que foi o petebista quem lhe pediu diretamente o valor. “Consegui incluir na relação para ser viabilizado. Não tinha alguma contrapartida. Ele me pediu e eu o ajudei, a empresa deliberou que até determinado valor era oficial e a partir daí era caixa dois. Eles não me diziam se era caixa dois ou se era oficial”, relatou. Quanto ao tucano, ele disse que doou por apostar que ele viria a ser um político de destaque.

Outro lado
José Chaves nega veementemente o recebimento de recursos não contabilizados em sua campanha. “Todas as contribuições respeitaram a legislação e foram devidamente aprovadas pela Justiça Eleitoral”, afirmou. Rubem disse que preferia não se manifestar até ter total conhecimento do teor do processo que chegará à Justiça Federal de Pernambuco (JFPE).

Por sua vez, Bruno Araújo disse ter havido uma dissociação em relação ao que foi imputado e os fatos relatados pelos delatores. “O sentimento é ainda de surpresa com as imputações que me foram feitas. Mas, diante do que está exposto, tenho convicção de que tudo ficará devidamente esclarecido”, destacou.

Já Jarbas Vasconcelos destacou que todos os recursos de campanhas recebidos por qualquer empresa foram declarados à Justiça Eleitoral.

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