Pacote da PM mobiliza poderes

Polêmico, PL do governo já foi distribuído. Deputado Romário Dias será o relator da matéria na Casa

Na tarde de ontem, plenário foi tomado pelo debate do projeto que versa sobre vencimentos dos policiais militaresNa tarde de ontem, plenário foi tomado pelo debate do projeto que versa sobre vencimentos dos policiais militares - Foto: Giovanni Costa/Alepe

 

Em meio a mais um dia de debate entre oposição e governo em torno do polêmico projeto de lei do Executivo que trata dos vencimentos dos policiais militares, o relator do texto, deputado Romário Dias (PSD), afirmou, na última terça-feira (8), que trabalha para o projeto ser aprovado até a semana que vem.

Levado às pressas pelo Palácio do Campo das Princesas com intuito de antecipar uma eventual paralisação da classe, o texto estabelece alterações na estrutura remuneratória e na carreira dos militares, o que levará a um impacto de R$ 303 milhões aos cofres públicos somente para este ano.
Romário Dias se reuniu, no início da tarde, com os líderes das duas associações militares e, no dia anterior, chegou a conversar com o governador Paulo Câmara (PSB) e auxiliares da Fazenda, Defesa Social e Planejamento para tratar do assunto. Após iniciar as primeiras conversas, admitiu que existem pontos de divergências que precisam ser sanados, mas que até o próximo domingo entregará o relatório final.
“Têm alguns pontos que concordamos, têm outros que a gente discorda, alguns acho que devem avançar mais, têm outros que podem ser recuados e suprimidos”, disse o deputado sem sequer entrar no mérito das divergências. Ainda ontem, o parlamentar chegou a conversar com a Procuradoria da Alepe e deve voltar à mesa de negociação esta semana com o chefe do Executivo estadual para um alinhamento.
Divisão
Enquanto nos bastidores a movimentação - durante todo o dia de ontem - seguia intensa, no plenário, a matéria voltou a dividir opiniões. Na tribuna, a deputada Priscila Krause chegou a sugerir ao governador a instalação de um gabinete de crise diante do imbróglio entre governo e associação.

O deputado Edilson Silva (PSOL) cobrou um projeto mais equilibrado. Apesar de integrar a base do governo, o deputado Álvaro Porto (PSD) sugeriu mais ação por parte do Executivo e menos propaganda.
Em defesa da proposição, o líder do governo, Isaltino Nascimento (PSB), garantiu que a gestão vem sendo sensível ao pleito e destacou as ações que foram desenvolvidas nos últimos anos em favor da categoria. “Entre 2015 e 2016, houve 7,9 mil promoções e trabalhamos na melhoria do vale-refeição, do auxílio-farda e do auxílio-transporte”, lembrou.
À tarde, no Palácio do Campo das Princesas, Câmara afirmou que há um desconhecimento acerca da proposta e que algumas pessoas estão querendo politizar o tema. “Estão querendo politizar um assunto que não se pode politizar. Quando nós decidimos, a pedido do próprio comando da Polícia Militar e Bombeiro Militar que eles seriam os condutores deste processo diante de uma organização que prezar pela disciplina e hierarquia, isso feriu interesses. Querem colocar, no âmbito da sociedade, um clima de terror, mas não vamos admitir isso”, afirmou.

O governador admitiu que os índices do Pacto Pela Vida “estão ruins, mas não há clima de terror” no Estado e descartou a possibilidade pedir tropas federais.
Processo
A Secretaria de Defesa Social (SDS), por meio da corregedoria, abriu, ontem, 43 processos disciplinares por supostos atos de indisciplina praticados por integrantes das associações de Cabos e Soldados (ACS) ocorridos entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017. Os líderes Albérison Carlos da Silva e Nadelson Leite Costa são os principais alvos.
Paralelamente à medida, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) pediu a prisão dos líderes sindicais Albérison e Nadelson, além do integrante da Associação dos Militares de Pernambuco (AME), Vladimir Assis, e o policial Glaustony Wanderley Galvão.

 

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