ELEIÇÕES 2022

Paes critica apoio de Lula a Freixo e vê 'salto alto' do petista no Rio

Prefeito disse em entrevista ao Valor Econômico que ex-presidente não tem relevância em eleição para governo do Rio

Eduardo Paes, prefeito do Rio de JaneiroEduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou em entrevista ao 'Valor Econômico' que o ex-presidente Lula (PT) não tem relevância na eleição para o governo do Rio e que o apoio do petista ao pré-candidato ao Palácio Guanabara Marcelo Freixo (PSB) demonstra uma postura de “salto alto” de sua campanha.

“O Lula não é o fator relevante para mim nesta eleição local aqui”, disse Paes, na entrevista, afirmando que o ex-presidente não é um cabo eleitoral determinante no Rio como é em estados do nordeste.

“A posição tem sido: ‘Quero governo do Estado, Senado e Presidência da República e quem quiser vir que bata palma pra mim'. A postura do Lula, eu diria com certo salto alto no Rio de Janeiro, não é a de alguém que está buscando somar”, completou.

Ele questionou as credenciais de Freixo, que é deputado federal, para ocupar o cargo. Segundo Paes, uma pesquisa encomendada pelo PSD mostra que o parlamentar teria perdido a ampla vantagem que tinha sobre o governador Cláudio Castro (PL), com quem estaria num empate técnico.

“Freixo não tem qualquer experiência no Executivo. Como vai ajeitar a situação fiscal (do Estado) alguém que a vida inteira defendeu todo tipo de irresponsabilidade? Como vai atrair empresa alguém que a vida inteira disse que concessão e PPP é uma desgraça do capitalismo mundial? Como vai enfrentar o problema da violência alguém que defendeu a extinção da Polícia Militar?”, disparou.

Paes ironizou Freixo dizendo que “a vida inteira quis essa imagem de rebelde” “aquela coisa Belchior, apenas um rapaz romântico latino-americano sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes e vindo lá de Niterói, ou São Gonçalo, sei lá de onde ele vem”.

O prefeito do Rio vem se movimentando para emplacar uma candidatura competitiva contra Freixo, que é um de seus principais adversários políticos. Na última quarta-feira, em reunião com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ele oficializou a aliança entre o PSD e os pedetistas para a disputa pelo Palácio Guanabara.

O encontro selou a união entre os pré-candidatos de ambos os partidos — o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT) e o ex-presidente da OAB Felipe Santa Cruz (PSD). Ainda não há definição sobre quem vai encabeçar a futura chapa e a expectativa é que um se lance ao governo do estado e outro se candidate ao Senado.

As movimentações do prefeito do Rio sobre as disputas do Rio ocorrem após o PT dar a largada na formação de sua chapa com Lula garantindo que o partido irá apoiar Freixo. Além disso, o partido lançou o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), André Ceciliano (PT), como pré-candidato a senador.

Ainda na entrevista, Paes afirmou esperar que o PSD tenha um candidato ao Planalto. Enquanto a pré-candidatura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco esfria, o partido tenta atrair nomes como o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung, para servirem de opções na corrida ao Palácio do Planalto.

O prefeito do Rio avalia ainda apoiar o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, que irá fazer uma palestra para seu secretariado neste domingo e com quem vai ter uma conversa política na sequência.

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