Para gestores, deputados jogam para plateia, temendo desgaste

Governadores definem a postura de parlamentares como um "desserviço"

Câmara dos deputadosCâmara dos deputados - Foto: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados

Os governadores têm feito a conta. Caso estados e municípios não sejam reincluídos na Reforma da Previdência haverá, ao final, 27 legislações estaduais e cinco mil municipais. No Palácio das Princesas, o governador Paulo Câmara tem externado, a pessoas próximas, que não tem problema em discutir Previdência. Mas, segundo palacianos observam, a dificuldade estaria relacionada aos deputados, que não teriam interesse em votar nada relacionado a servidor público estadual: temem o desgaste, reflexo dos efeitos da Reforma Trabalhista na eleição passada.

Há governadores do Nordeste definindo essa postura dos parlamentares como um "desserviço ao Brasil" e há quem considere que os gestores de executivos estaduais estariam servindo de "bode expiatório" aos deputados. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já considerou que os estados e municípios podem ser reincluídos por meio de destaque em plenário. Mas, para isso, seria necessário compromisso de deputados ligados aos governadores de votar a favor da reforma. Um dos principais articuladores do movimento que pedia a manutenção dos governos locais no texto, o que acabou não ocorrendo, João Doria chegou a apontar falta de “atitude” e “voz de comando” por parte de governadores do Nordeste. A cobrança tem partido também de parlamentares defensores da reforma. Avaliam que os governadores não querem assumir o ônus. "As duas teses se somam. Há deputados que não querem se indispor com o servidor público estadual. Mas há a história de João sem braço dos governadores, de ficar com o benefício, mas sem colocar as bancadas para votarem. Há irritação com isso", argumenta um parlamentar em reserva. A bancada do PSB-PE tem sido citada como exemplo por vários deputados, que dirigem cobrança a Câmara. Segundo interlocutores, o socialista aguarda para decidir a estratégia, mas estaria pesando o fato de deputados não quererem o desgaste. Governadores têm dito que Maia e deputados andam "jogando para plateia".

Romaria de ministros
Abraham Weintraub é o oitavo ministro do governo Bolsonaro a visitar Petrolina, governada pelo prefeito Miguel Coelho, herdeiro do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho. Após Weintraub garantir, ontem, R$ 5,7 milhões, para a construção de uma escola pública municipal e para a instalação de sistemas de ar condicionado nas salas de aula, ele almoçou na casa de FBC.
décadas > O ministro contou que a última vez que esteve em Petrolina foi há 30 anos numa das viagens que fez ao Ceará, onde tem família. Fernando acompanhou Weintraub na posse de Antônio Campos como presidente da Fundaj.
Ato... > Ao discursar na Fundaj, Weintraub defendeu a unidade das lideranças contra a polarização vigente e, embasando sua tese, lembrou que, inclusive, apoiou Marina Silva em 2014.
...falho > Ao se referir ao, então, companheiro de chapa da ex-ministra, citou Antônio Campos, no que foi corrigido pela plateia: o candidato à presidência era Eduardo, irmão de Antônio. Consertou, sem deixar de realçar sua tendência mais ao centro.
Batendo... > Em almoço recente, o líder do Solidariedade, deputado Augusto Coutinho, defendeu, ao ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), que ele precisa abrir uma agenda para Raul Henry fazer a apresentação que preparou sobre o Nordeste aos coordenadores de bancadas.
...na tecla > Augusto argumentou que o governo não compreendia o Nordeste e que era preciso um programa de governo para a região. O almoço deu-se na última quarta-feira.

 

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